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Aquele sobre viajar sozinha – BEDA #23

23 de agosto de 2017

Tão clichê quando escrever uma lista bocó sobre as mudanças fenomenais que você sofre ao viajar sozinha, é fazer outra lista bocó explicando que não são tão fenomenais assim as mudanças que você sofre ao viajar sozinha. Mas eu jamais, em toda a minha vida, disse que não era trouxa.

Não viajei muito nessa vida, mas duas das três vezes em que saí do Brasil, fui solo: Hong Kong para o intercâmbio da faculdade (50 dias sem conhecer ninguém) e Londres (12 dias a trabalho). Viajar sozinha é maravilhoso? É sim! Dá uma sensação de bem estar e independência? Dá sim! Mas existe um grande exagero nessas listas de “n motivos para se viajar sozinho” (normalmente escritas pela mesma galera do “larguei tudo e fui viajar o mundo”).

As vantagens sobre a escolha do roteiro ser exclusivamente sua (eu amo passar em TODOS os supermercados) e o mau humor ser unicamente seu são indiscutíveis, mas não recomendo esperar uma mudança radical de vida.

Aqui, uma humilde divagação da casa sobre essas questãs:

“Nooooossa, porque o auto conhecimento!”

Eu tenho a profundidade emocional de uma colher de chá e não tive nenhuma grande revelação andando 108 km a pé, então não sou bom exemplo, mas acho que se você já paga suas contas, troca a areia do gato e lembra direitinho que dia vence o aluguel e a luz, não vai ser grande evolução. A gente aprende e absorve muita coisa em uma viagem sim, mas o resultado é muito mais a longo prazo, ninguém volta uma nova pessoa depois de quinze dias fora (seus pés no entanto, podem voltar completamente massacrados e diferentes).

Talvez as pessoas mudem pelo fato de andar sozinhas, não pela viagem em si. A gente aprende tanto (ou mais) sobre si mesmo quando enfrenta os estereótipos e sai pra jantar sozinha na própria cidade, pega a fila do cinema sem ninguém (perto de vários casais) e fica encarando o teto na primeira noite na casa alugada porque o dinheiro ou dava pro calção do aluguel ou dava pra televisão.

viajar-sozinha-2.jpgAs vezes é só você, mil budas e um macaco que morde pessoas em 9849840 degraus.

“Sai mais barato viajar sozinha”

Só na conta de quem é de humanas. Quarto dividido sai mais barato, refeição dividida sai mais barato. Em Londres, por exemplo, tem aquele programa 2×1 para turistas e todos os restaurantes de Chinatown fazem promoção para grupos a partir de 2 pessoas.

“Você vai absorver mais da experiência e ter uma visão só sua”

Nem sempre. E isso pode nem ser bom. Mesmo que você faça muitos amigos lá, a visão que vai trazer pra casa é só a sua e ela pode vir distorcida. Discutir e debater cada nova experiência e cada novo perrengue pode ser muito construtivo.

“Você vai ficar mais independente”

O nome desse sentimento é aluguel pago.

E umas diquinhas:

A segurança

Nesse ponto (também) não sou parâmetro, sou muito desencanada. Claro que vale sempre o Google sobre a segurança na cidade e vale o lembrete que quem sai pra passear é você e não todos os seus pertences. Meu apuro máximo foi O Caso do Albergue em Hong Kong, mas na hora costuma dar tudo certo.

(se você quiser o conselho de alguém mais razoável, fala com a Vy)

Você vai sair em menos fotos

Não sou uma grande praticante da modalidade selfies. Parabéns pra quem é, pra quem não é segue em frente tem outras foto. Outro ponto que ninguém põe na conta aqui é que viajando sozinho temos apenas 01 pessoa para carregar equipamento.

Procure alguém com uma máquina boa

Se você quiser fotos para a posteridade (eu sempre quero), escolha alguém pela câmera e não pelo rosto (mesmo que tão bonito o rosto). Se a pessoa estiver carregando até um tripé: prazer, esse é o seu melhor amigo agora. Vai saber regra dos terços, vais saber pegar o fundo, vai saber que não pode contra a luz. Não sei o que acontece com as pessoas, que as vezes na China eu pedia uma foto na frente de um monumento e era agraciada com uma mais que perfeita 3×4.

Em Hong Kong , pedi uma foto para um casal de japoneses cujo qual cada um carregava uma Leica. E: eles começaram a discutir entre si. Pelos gestos e pelo que se seguiu (cada um bateu uma foto minha: AmEi!), ela acreditava que uma foto mais de cima seria mais adequada e ele preferia algo mais reto. Ela estava correta.

viajar-sozinha-3.jpg

Só você, e apenas você, vai carregar sua mala

Isso, aquela lá que nem fechar fechava até sentar em cima.

 

Em resumo é isso. As vantagens de viajar sozinho são muito mais sobre a sua personalidade (eu e minhas amigas que costumam fazer isso somos extremamente antissociais) e sobre a experiência que você já tem, do que a experiência que você vai ter lá.

Quem costuma publicar esses textos motivacionais e resolve ir pra Europa se libertar, mas julga quem sai pra jantar sozinha. Por anos levantei a bandeira de que você não deve depender de ninguém pra sair de casa, mas se forçar a fazer algo sozinho nessa busca do Santo Graal, acho pouco produtivo. Sem contar que essas viagens de auto-conhecimento nunca envolvem moeda local ou a passagem pra Cotia (ótimo lugar, me chamem), sempre tem que ser mais pinterest.

viajar-sozinha.jpgA primeira foto da plataforma ficou 01 droga, aí fui lá, achei outra pessoa com outra câmera, dei meu celular e tirei de novo.

Pessoal, Viagem

BEDA #29: Aquele dia do hostel em Hong Kong

29 de agosto de 2016

Durmo no chão para passar a noite em filas de show (chão mesmo que eu tenho preguiça de levar coisas, eu deito no concreto) e tenho zero problema com banheiro químico ou lugar sujo pra comer, basicamente, sou bem de boa com certas frescuras. Mas sempre tive um pézinho atrás com albergues. Minha primeira vez foi num hostel em Hong Kong.

Na data e questão em vinha de 50 (maravilhosos) dias batendo perna em Hong Kong: o primeiro deles eu dormi no aeroporto, os 49 seguintes dormi em faculdades e o último, por questões logísticas (e financeiras) ia precisar ser em um albergue.

Esse Hong Kong Inn era a primeira e mais bem avaliada acomodação do Hostel World, foi também indicação de alguns brasileiros que me encontraram lá. Reservei uma cama em um quarto compartilhado feminino para 4 pessoas por HK$ 239,00 (na época dava umas 60 dilmas). Como HK é muito ruim de taxi, deixei todas as minhas malas trancadas na estação central (de onde sai o trem pro aeroporto) e fiquei só com a mala de mão pra fazer correr (compras) de ultima hora.

O prédio ficava em Causeway Bay que é um bairro central de Hong Kong que eu amava fuçar a pé e onde as lojas fechavam muito, MUITO tarde (a Forever 21 DE RUA fechava à 1 da manhã), então eu fiquei batendo perna até umas onze e fui pro hostel.

Chegando lá, era um prédio bem zoneado, com tudo super apertado, mas né, estamos na China, superpopuloso, levante a mão, entre no clima. Fiz o check-in e o rapaz do balcão disse para eu seguir uma mocinha que me levaria té o meu quarto (e eu que sempre achei que hostel era um esquema faça você mesmo?!).

Eu segui e ela:

SAIU DO HOSTEL

E comecei a dar VOLTAS pelo bairro.

Vários rolês.

Vielas, becos, vielinhas.

E chegamos em um prédio velho cujo qual continha uma placa gigante com os dizeres: “PROIBIDO HOSPEDAR ESTRANHOS” (ou algo similar em um inglês mais ou menos).

“Prooooooonto, vou ser presa na minha última noite em Hong Kong, ser deportada e nunca mais vou poder voltar pra essa terra que tanto amo.”

Nisso já era quase meia noite e, no desespero, achei melhor entrar e meter o famoso louco, do que ir brigar de volta na recepção do hostel (que a essa altura já era lá na puta que pariu) e procurar outro lugar pra dormir (em Hong Kong!).

Subimos no APARTAMENTO de uma senhora que não falava nada de inglês e ela me levou pra um quarto até que arrumadinho, apontou pra uma cama de casal e disse que era ali que eu ia ficar. Tinha cara de ~um quarto feminino~ e eu pensei “pelo menos me dei bem e é uma cama grande”.

Quando comecei a arrumar a cama toda pra mim ela desanda a falar (repetidas vezes e sem pausa):

TWO PEOPLE, ONE BED!
TWO PEOPLE, ONE BED!
TWO PEOPLE, ONE BED!

E eu tentei explicar que estava sozinha. E tentei explicar que não ia dividir a cama com ninguém. E tentei explicar A MINHA VIDA. Nada.

TWO PEOPLE, ONE BED!

E cada frase que eu dizia:

TWO PEOPLE, ONE BED!

Alguém (não lembro quem, provavelmente a mocinha do hostel) tentou conversar mais ou menos com ela e o veredito da senhora era que eu tinha que esperar o próximo hóspede que chegasse e íamos dividir a cama de casal pois:

TWO PEOPLE, ONE BED!

Eu estava prestes a meter o famigerado louco, quando mais um funcionário do hostel e dois alemães (maravilhosos) entraram no apartamento.

Com a mais absoluta e sincera cara de pânico.

Eles me olharam perdida ali com a chinesa (TWO PEOPLE, ONE BED! TWO PEOPLE, ONE BED!), olharam aquele apartamento estranhíssimo e: decidiram que iam meter o famigerado louco também. Nisso começou todo mundo a falar (TWO PEOPLE, ONE BED!) e surgiu, do mais completo nada, um quartinho com um beliche estranhíssimo que era cama de casal na parte de baixo e cama de solteiro na parte de cima.

Eu e os alemães entramos e um acordo de que eu dormia na parte de solteiro e os dois na de casal e pela primeira vez em quinze minutos não se ouvia TWO PEOPLE, ONE BED! naquele local.

Conversamos pouco (nisso já era quase uma da manhã) e eles precisavam sair pra jantar, tinham chegado de um voo longo e etc, falaram pra eu trancar bem a porta do quarto e abrir apena se eu tivesse certeza que eram eles (obedeci que nem criança pós supernanny).

Saí bem cedinho no dia seguinte (era domingo em Hong Kong, meu dia preferido E meu último), eles estavam dormindo de forma muito hétero (em posição de defunto para não encostarem um no outro). Tomei banho, passei por uma pessoa dormindo no sofá da sala e um chinês dormindo no chão.

Hostel em Hong Kong

Hostel em Hong KongSó tirei essas duas fotos, já na ~~~porta~~~ de saída do apartamento, morrendo de medo de arrumar confusão.

Não peguei contato dos moços (e duvido que o hostel em Hong Kong tenha qualquer registro de nossa passagem por lá), mas foi uma boa história.

 

BEDA 2016

Viagem

BEDA #24: Sleeping in Airports – um site de review de aeroportos

24 de agosto de 2016

Quando fui pro intercâmbio em Hong Kong, meu voo chegava às 17hrs e meu check-in na faculdade era só às 7hrs do dia seguinte. Como 1) eu estava em uma sozinha em uma cidade 100% desconhecida 2) qualquer hostel ia me custar cem reais, achei que ia ser mais fácil evitar toda a logística de transporte de malas e dormir no aeroporto mesmo.

Foi nessas que eu descobri o Sleeping in Airports, um guia pra quem também tem essas idéias brilhantes. Foi com ele que eu soube que podia guardar minhas malas por 20 reais o pernoite (e não precisei dormir com um olho aberto e outro fechado), toooodas as lojas que eu teria a minha disposição, melhores pontos de wifi, melhores pontos para carregar eletrônicos e, lógico, melhores lugares para dormir (melhores lugares: qual cadeira, canto, piso).

O site já me foi útil antes de eu chegar em HK, usei as #diquinhas também na minha conexão de 4 horas em Dubai (e descobri que eu tinha direito a um jantar grátis por conta da companhia aérea).

Ele disponibiliza rankings separados para melhores (e piores) aeroportos no geral e melhores aeroportos para DORMIR. Tem também lista de hotéis próximos (caso você queira uma noite mais tranquila), horários de farmácias, se o local tem ou não chuveiros, custos e #truques, que é o que a gente mais precisa nessa vida.

APTO 401 - Dormindo em aeroportosO maravilhoso aeroporto de Hong Kong e os banquinhos roxos que me serviram de cama.

Como eu sou a própria Mônica Geller e uma boa viagem é organizada (RISOS), indico pra todo mundo. 😉

BEDA 2016