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Caminho da Fé

Viagem

108km a pé – dia 04: Dona Natalina e o fim dos 108 km

20 de setembro de 2016

Expliquei o onde, o como, o quando e o porque dessa coisa toda de andar aqui e todos os posts sobre o assunto você encontra aqui.

Desde que comecei a conversar com conhecidos sobre o Caminho da fé, todo mundo me falava da ~subida da Serra dos Lima~. E veja bem, chegou o dia de sermos formalmente apresentadas. E eu agradeço cada aviso sobre o caráter dessa zinha.

A vista é linda. De doer. E a inclinação também, de doer mais ainda. Mas deu pra subir em mais ou menos uma hora. Era uma coisa de uns 100 metros por vez, aí para, aí vem água e uma vez vieram também dois sachezinhos desses de energético porque a minha pressão dava sinais de que tinha decidido ficar lá em baixo mesmo beijo até amanhã.

Depois dessa subida veio a Pousada da Dona Natalina, essa mulher miudinha que tem as mãos da minha avó e um coração que parece ser grande igual. Sei histórias lindas dela (e do falecido marido, que me dói no coração, cada vez que eu penso nela lá sozinha), mas não são minhas pra contar. Minhas são as lembranças do pão com ovo (que também tinha o gosto do da minha avó) e dos cachorros mais legais do mundo: Sadan, que se esconde no mato pra derrubar motoqueiros e ciclistas (e por isso precisa ficar preso, mas abraça todo mundo que chega perto dele), Xuxa e duas outras figurinhas maravilhosas, uma delas nasceu sem o maxilar de baixo, o que faz com que ande o dia inteiro com a língua pendurada por aí.

Ainda eram nove da manhã e, por mais que a vontade fosse de ficar ouvindo histórias com a voz da Dona Natalina acalmando o coração de todos os males da humanidade, seguimos (descemos) pra Barra. Pra carimbar em outra pousada gostosa, cheia de bicho e gente de coração bom.

Foi só nos últimos dez quilômetros que o corpo puxou mesmo, mas acho que era o psicológico de saber que estava acabando. Foi o trecho que a gente fez mais acelerado, porque eu sentia que andando mais, doía menos.

Nesse finzinho eu já questionava se cumpriria essa minha meta de andar 100km todo ano até completar os mais de 400. Hoje já estou mandando convites pros amigos e penso o tempo todo nas histórias que ouvi por lá.

Caminho da Fé

Pousada da Dona Natalina

Pousada da Dona Natalina

Pousada da Dona Natalina

Caminho da Fé

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Caminho da Fé

Caminho da Fé

Não tive nenhuma grande revelação no Caminho da Fé (além daquela coisa toda de amar fotografar vacas), mas sou mais feliz por saber que ele existe, que pessoas tão carinhosas assim estão lá. E que elas são felizes de um jeito que querem dividir com todo mundo.

Dúvidas? Questões? Agonias? Questionamentos? Me pergunta nos comentários que esse é o meu assunto favorito acho que pro resto da vida!

Viagem

BEDA #25 108km a pé: dia 03

25 de agosto de 2016

Expliquei o onde, o como, o quando e o porque dessa coisa toda de andar aqui e todos os posts sobre o assunto você encontra aqui.

O trecho que vai de Águas da Prata até Andradas tem 32km, com uma única opção de parada no meio do caminho, um hotel com fama de não ser muito receptivo. Decidimos que passaríamos por ele, mas que se a coisa não estivesse no mínimo muito maravilhosa, seguiríamos viagem, mesmo que destruídos, até o final. E foi o que fizemos.

Nesse dia, no meio do caminho tinha um Pico do Gavião, o que basicamente significa que você só sobe, sobe, sobe o dia todo. Algumas horas sobe muito, algumas horas pouco, mas é basicamente isso, você sobe. E é bem tranquilo.

De novo foram vacas (e fotos de vaca, meu deus, melhor esporte da vida fotografar vaca), cavalos, tucanos (!), macacos (!!!), uma coruja e patos/marrecos (que estavam presos, ainda bem, por que você já viu os dentes desse bicho?!).

Tem bem menos sol nesse pedaço, por conta de uma vegetação linda! Então rende tudo muito bem. Fizemos 22km de manhã, almoçamos nesse hotel aí e fizemos mais 10km a tarde, quando atravessamos a pontezinha da divisa de SP e MG. <3

Essa cidade também não tem pousada caseira (é uma das últimas assim, daqui até Aparecida quase todas as hospedagens são na casa das pessoas) e ficamos num hotel bastante confortável e hospitaleiro.

Depois de um banho, saímos para explorar a cidade (lê-se comprar cerveja, porque outro grande charme dessas cidades é que a cerveja é muito barata) e passando pela recepção um funcionário aponta: “Olha! Peregrinos!”. Estranhei, porque já não estávamos mais vestidos ~a caráter~ e ele me respondeu “Só os peregrinos andam dando pulinhos“.

E é verdade. Depois de 74km, o corpo doía sim, mas não era nada insuportável (até menos que nos poucos dias da vida em que tentei ser musa fitness, porque também dói de um jeito mais uniforme, bem diferente da academia). Acho que a maior diferença mesmo é que a noite o corpo começava a se recusar a reponder (não o culpo). Você não manca e sim… anda dando pulinhos. Outra coisa que não esperava é o tempo que eu demorava pra dormir e a facilidade absurda em acordar às cinco da manhã. Eu sentia o corpo bem cansado e pesado mesmo (no final do dia não era nem tanto os pés, mas as costas), mas ~a mente~ estava mais descansada e leve do que nunca.

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BEDA 2016

Lifestyle, Viagem

BEDA #12 108km a pé: Dia 02 – Até Águas da Prata

12 de agosto de 2016

Expliquei o onde, o como, o quando e o porque dessa coisa toda de andar aqui e todos os posts sobre o assunto você encontra aqui.

It´s all fun and games até você fazer os seus primeiros 30km seguidos. No nosso último capítulo, contei da Dona Cidinha, e aqui começamos o dia com mais carinho da parte dela: 6 (eu disse SEIS) tipos de pão no café da manhã (mais café, leite, chá e achocolatado).

Toddy ou Nescau no café da manhã é uma das escolhas mais pessoais da vida do ser humano, já que trata-se de um horário em que você está bastante sensível e ainda não totalmente desperto para lidar com os males da humanidade. Mas quando a gente é visita, precisa abrir mão de certas bandeiras. E é nessas horas que a gente vê o nível de comprometimento de uma pessoa para com o conforto do próximo: Dona Cidinha disponibiliza as duas marcas para o desjejum do peregrino.

Que mulher, que acontecimento.

Saímos as sete (o plano era sair às seis, mas aconteceram pães).

Aqui já começam os trechos de ficar bem no meio do mato e passar horas (e kilometros) sem ver ninguém. As dez da manhã, já tínhamos feito 14 km até a pousada da Dona Cida (em São Roque da Fartura).

(favor não estar confundindo as Cidas!)

É importante saber que o Caminho passa no meio do mato mesmo, então as pousadas não são só pra dormir, mas também importantes pontos de apoio entre trechos longos (o próximo ponto por exemplo, fica a 16 km dali, no meio não tem nada e não dá pra ficar carregando comida). Além disso, nas pousadas você recolhe carimbos (eu era o próprio Mutley atrás de medalhas) e recebe amor. Na Dona Cida ele veio em forma de café, bolo e uma gostosa conversa sobre seu Getúlio, o moço que desenhou os quadros dos pais e avós dela, que enfeitam a sala. <3

Se fizemos 14 km em 3 horas de manhã, fizemos 16 em quase 5 horas a tarde. E isso foi uma coisa que eu reparei todos os dias, o rendimento cai bastante quando o sol esquenta (isso porque a gente não parava, passamos só 20 minutos na Dona Cida e o resto foi andando o tempo todo). Esse segundo trecho também tinha uma descida super pesada, tudo o que a gente subiu de forma leve, precisou ser descido de uma vez só.

A gente acha que subir é cansativo (e é), mas descer é de matar. A velocidade diminui muito e seu joelho tem crises existenciais sobre sua verdadeira função e capacidade, tudo isso enquanto as coxas tem tremeliques de Charlie Brown. Aqui eu entendi a importância do cajado de apoio. Fez toda a diferença e com certeza me poupou muitos tombos.

Mais para o meio da tarde chegamos nos trechos que só permitem acesso a pé ou de bicicleta, que são os mais legais. Passamos por montanhas super altas (é, é um sobe e desce constante sim) em paisagens que eu nunca nem sonhei ver, passamos no meio de pastos enormes, uma plantação de café maravilhosa, e visitamos um orquidário (graças a uma dona muito simpática).

Chegamos em Àguas da Prata por volta das 16h30, aqui não ficamos na casa de ninguém, mas na sede da instituição que cuida do Caminho da Fé, onde retirei minha credencial de peregrina (pra colar os carimbos anteriores) e comprei meu cajado (que é um bambu com uma fitinha de Nossinhora). Foram 30km.

Caminho da Fé

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Todos falavam que a gente tem grandes revelações quando faz um caminho desses. No fim desse dia, tive certeza que a minha revelação é que, meu deus, como eu amo tirar foto de vaca.

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BEDA 2016