About

APTO 401

Em manutenção. ;)

Sobre
Lifestyle

Lifestyle

A vida que a gente quer ter.
SP

São Paulo

Passeios, comidas, filas.
Viagem

Viagem

Só vem.
~Cultura Pop~

De ler, ver e ouvir

~Cultura Pop~
Diarinho

Diarinho

Blogando em 2003
Freebies

Freebies

Planner, planilhas e mais
Diarinho, Gatice

Aquele das histórias na Cobasi – miniBEDA #9

O meu nobre cônjuge consegue entrar na Cobasi, pegar um saco de sílica, pagar e sair. Se for um dia bom e ele estiver com tempo, ele pode ver plantas lá também. Pegar um vaso, um saco de terra e ir embora.

Eu não.

Conto nos dedos das mãos as vezes em que minhas visitas à Cobasi seguiram o fluxo normal de uma ida à casa de ração. Algo na minha postura, no meu semblante, dá a confiança que as pessoas precisam pra começar a A Hora do Gatinho®.

E pode acontecer a qualquer momento. Certa feita, respondi “né?” quando uma mulher falou, meio que para ninguém “nossa, a sílica aumentou de novo“. Foi o necessário pra ela me mostrar fotos dos seus 08 (oito) gatos. Antes e depois da tosa. Porque, como ela explicaria em ricos detalhes depois, eles sofriam muito no verão. E, sendo essa pessoa que gosta muito de gato, não é como se eu pudesse passar totalmente indiferente às imagens (eram fotos de GATINHOS. tosados. todos completamente conscientes do quanto estavam ridículos), então eu meio que continuava a encoraja-la e a coisa toda se estendeu por quase meia hora.

Teve outra vez (também na sessão de sílica, esse corredor é particularmente perigoso), que um moço MUITO perdido, com aquele olhar de pânico de quem já leu dez rótulos, me perguntou “qual você usa?”. Expliquei e ele ouviu como um estudante desesperado na véspera da prova final. Um tempinho depois peguei ele me espiando na sessão de ração. Pego em flagrante, ele confessou que tinha resgatado um filhote há poucas horas e não fazia a mais pu idéia do que estava fazendo. Fiz uma visita guiada com ele pela loja. Pareceu que ele ia ficar mesmo com o gato, porque levou coisa pra meses.

Não é raro as pessoas pedirem indicações de produtos. Comprar coisas pra gato não é tão transcendental e desafiador quanto escolher entre 28489392 tipos de absorvente de 2982829 marcas, mas é quase. Na sessão de sachês, um moço intrigado perguntou qual marca eu levava pras meninas e se eu achava que essa era GOSTOSA. Eu não sabia o que responder. Mas achei atencioso da parte dele. A gente pensa em nutrientes, excesso de sódio, peso, mas ninguém se questiona se o sachê de carne é realmente gostoso. Ele levou alguns diferentes (certeza que pro bicho provar) e sei que o gato dele tem um vidão.

E tem o Baltasar*. Que é o caso de que quando a montanha não vai a Maomé, eu é que vou lá arranjar pra cabeça. Vi uma mulher alugando uma moça aleatória com uma conversa maluca. Me solidarizei com a dor, mas pensei que antes ela do que eu, que enfim meu dia tinha chegado e eu ia sair rapidinho dali (se pá até ver umas flores). Mas peguei a seguinte frase solta “Adota esse gato! Eu ficaria com ele, mas eu já tenho esse cachorro aqui que é cego e não ia dar certo!“. Tenho um fraco por bichos com deficiência e olhei pra onde ela apontou no “aqui”. Não tinha cachorro. Lembremos que o cachorro em questão era cego. Foquei tudo que eu tinha no “ah não, hoje eu saio cedo daqui” e segui pra ração.

Qual não foi a minha surpresa ao cruzar mais alguns corredores e dar de cara com ele. Baltazar. Com seus olhinhos mais brancos que papel. E lá fui eu conduzir o cão de volta à sua dona que agora alugava 02 (duas) mulheres insistindo na adoção do tal gato.

Pietro consegue só ir na casa de ração. Eu não. Mas Pietro se solidariza. Está acostumado com as histórias e não estranha quando estamos descendo a escada pra ir embora e eu falo “eu conheço aquele cachorro, segura aqui, deixa eu ir ajudar” (sim, já cruzei com Baltazar DUAS vezes). Pietro não questiona quando eu digo que já chega e na próxima vez eu vou ter que estar confiscando o supracitado cão.

Se a gente está com muita pressa, Pietro vai sozinho pegar sílica. Ele demora 5 minutos.

Gatos no sol

* o nome do Baltazar foi trocado para proteger sua privacidade (e a minha caso um dia eu precise de fato tomá-lo de furto)

Diarinho

Aquele da minha calça pantalona – miniBEDA #8

A minha roupa preferida na vida é uma calça pantalona da Ópera Rock de quando eu tinha 14 anos. Foi a primeira peça de roupa que EU quis. Foi a primeira peça de roupa que foi uma escolha minha e não uma insistência de meses da minha família falando que meninas-gostam-de-roupas. Depois da adolescência, eu engordei e a calça ficou guardada por quase 15 anos. Até semana passada. E achei que nosso reencontro valia um post.

Queria saber expressar o quanto demorei pra experimentá-la de novo. O quanto faltou coragem. O quanto, mesmo vendo os números na balança baixarem 15kg de julho do ano passado pra cá (a Rússia, é, ela mudou a minha vida), ainda é difícil olhar no espelho e enchergar alguém que cabe naquela pantalona. O quanto vestir aquela calça foi uma Autorização Formal pra eu poder sentir que emagreci mesmo (porque a minha calça pantalona, ela jamais mentiria pra mim). E o quanto, puta que pariu, como eu estava com saudades dela.

Calça Pantalona Ópera Rock

O mundo precisa de menos calças pantacourt.

China, Diarinho, Rússia, Viagem

Aquele sobre a China, a Rússia e o tempo – MiniBEDA #7

Eu fui pra China com 23 anos. E foi intenso e incrível como se pode imaginar. E eu queria morar lá pra sempre. E até pensei sobre isso na época, mas achei que não valia a pena construir carreira em um país sem lei trabalhista ou previdência (risos nervosos).

Ir pra China com 23 anos foi incrível, mas não sei se pela imaturidade, pelo medo ou pelo susto, a experiência me parece muito mais surreal e inacreditável quando penso sobre ela hoje aos quase-30, do que fui capaz de digerir na época. Hoje ainda é um pouco irreal pensar que ~cacete, eu, eeeeeeu, passei dois meses na China~. E na época, acho que na época não deu tempo de pensar em nada.

Mas a situação Rússia foi processada em sua plenitude antes, durante e depois do ocorrido em uma espiral constante de ~cacete, eu, eeeeeeeeu, estou indo/andando/voltando da Rússia~. Quando eu fui pro meu primeiro show (e alguns shows depois daquele e todos os shows de membros do Guns N Roses que se seguiram), eu experimentei uma sensação que é um misto do que a Emma Watson fala sobre ser infinito e do que a Catherine Willows no CSI chama de King Kong on Cocaine. A Rússia foram sete dias daquilo. E você não passa por isso sem ter a vida mudada. Só que ao contrário dos filmes e séries, a mudança não vem toda de uma vez. Você vai descobrindo as consequências disso todo dia e aos pouquinhos. Ainda não descobri tudo.

Moscou, 2017 - APTO 401


Close