Pessoal

Aquele da asma da Alessa

18 de janeiro de 2018

As amigas que me acompanham no site sabem que nos últimos meses eu precisei encarar de frente o fato de que Alessa tem asma. Minha gata tem bronquite asmática ou bronquite alérgica. Não se sabe ao certo. E não importa muito porque os dois são quase que iguais. Descobri essa parte passando noites acordada lendo trabalhos de conclusão de curso, teses de mestrado, doutorado e ppts de apresentação de congressos em mais de uma língua. Nos dois meses entre Alessa receber um diagnóstico semi-certo com um tratamento errado e um diagnóstico certo com um tratamento corretíssimo, eu morri um pouquinho.

Bronquite Felina

De fora pode parecer um exagero, mas foram duas veterinária, um raio x, um exame de sangue, sete farmácias “comuns” para achar um xarope em falta no mercado, dezenas (!!!) de farmácias de manipulação para tentar fazer o tal composto (em falta) em cápsulas, uma veterinária exigindo mais dinheiro pra trocar uma palavra na receita numa semana em que Alessa passou a ter o dobro de crises, Alessa passando muito mal pra tomar o xarope, o xarope dando resultado por 12 horas, mas aí mais crises. E finalmente veterinária certa e corticoide e bombinha de asma duas vezes ao dia e três semanas de tratamento.

Eu chorei no banheiro, no ônibus em três farmácias, na rua e no Hirota Food Express (tomando sorvete). Chorei em casa dando remédio, chorei com ela no colo e chorei escondida dela porque ela não merecia mais esse nervoso. Quis chorar quando a especialista disse que ia ficar tudo bem, mas já nem conseguia mais.

Nem casa eu tinha quando eu decidi que um dia teria Alessa, A gata preta de pêlo semi-longo e olhos amarelos. Seis anos depois uma gata de olhos meio-verdes apareceu no OLX, como tantas outras gatas pretas tinham aparecido nos últimos meses. Eu sabia que era ela. Alessa está há mais de um mês sem crises de asma.

Bronquite Felina

Pessoal, Viagem

Nova York – Aquele da rotina

15 de janeiro de 2018

Saiu o Blog Planner 2018 pra download e é grátis – VEM!

Quando fui pra Londres ano passado, estávamos em um mês de posts temáticos no SOTMB (o melhor grupo da internet) e eu escrevi esse post sobre a minha rotina nas duas semanas que passei na cidade. Aquele texto foi um presente gigantesco, pois me permite até hoje ter o registro das coisas pequenas, das coisas assustadoras, das coisas rotineiras: as coisas que são as mais importantes e as coisas que a gente sempre esquece. Por isso, peço sinceras e efusivas desculpas, mas terei que cometer esse texto novamente.

post rotina nova york

post rotina nova york

Minhas manhãs em Nova York começavam às 5 da madrugada, pois minha viagem foi agraciada com o que esperamos ser o último horário de verão de nossos tempos, assim, para chegar no escritório no horário do Brasil, eu precisa levantar no horário do sofrimento. Conseguia sempre? Claro que não. O número de vezes que apertava soneca variava de 1 a 7 (e isso não é uma simbologia para esse eterno 7 a 1 que é viver).

post rotina nova york

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Nos primeiros dias, fazia café na cafeteira do quarto e levava Naquele Copo Americano (baita café) e nos outros dias pegava café no Dunkin Donuts (deus abençoe os Estados Unidos da América) e saía bebendo no caminho, em ambos os acasos me sentindo muito bancária & nova iorquina. E estava escuro e estava frio e eu andava até o metrô pra ver o moço de sempre sentado em baixo da placa com o nome da estação.

post rotina nova york

Aí eu chegava no banco e coisas caóticas e café e mais coisas caóticas e expresso e coisas caóticas e café e donuts e isso ia até as 18hrs ou 19hrs ou 20hrs.

E aí eu saía. Achando que dessa vez estava exausta e que só ia pro hotel mesmo. Mas eu chegava no térreo e olhava pra cima e: Aquela Cidade! E eu me sentia TÃO feliz. E era TÃO inacreditável. Eu. Trabalhando lá. Em Nova York. E aí passava um táxi amarelo. E eu andava mais uns quarteirões e vinha aquela explosão de luzes da Times Square e parecia que eu ia ficar ligada no 220v pra sempre, mas era só felicidade. Uma felicidade muito pura mesmo e aí era só… natural.

Eu me sentia tão BEM.

post rotina nova york

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E aí eu andava e andava e andava. E tinha sim muitas lojas. E comidas gostosas. E eu andava mais. Até fechar tudo. Aí pegava o metrô e descia na estação perto do hotel e andava, sem me perder na volta. Depois que eu peguei a manha, também tinha um mercado que vendia Brooklyn long neck sem ser 6-pack no caminho. Aí era hora daquela esticada boa vendo a tv da América no mudo, tratando as fotos que eu estava amando TANTO tirar e aí já era uma da manhã quando batia aquele soninho do álcool. Era natural e era incrível. E era super feliz.

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Pessoal

Aquela vez que teve um N na janela

18 de dezembro de 2017

Natal me lembra aquele vez que teve um “N” na janela.

Eu morava em um prédio. E tinha a turma do prédio. E tinha um menino no andar de cima que gostava de mim. Eu não gostava dele. Nos dois casos estamos empregando o termo gostar com o peso que os adolescentes davam para a palavra em 2003 (e não sei se ainda se aplica hoje). Eu era muito tímida. Ele era muito tímido. Logo, era de interesse mútuo que ninguém soubesse que aquilo estava acontecendo. E como sabemos bem, pela frase de Dumbledore ou não, é lógico que todo mundo sabia que aquilo estava acontecendo.

Nós recebíamos todo o tratamento nada discreto que cabe a um grupo da idade: risinhos, indiretas, diretas, armações, piadinhas, trocadilhos. Tudo muito normal. Até o dia que o menino tinha pouco pisca-pisca em casa.

Incumbido da tarefa de instalar as luzinhas de Natal do apartamento, qual não foi a surpresa do nosso herói ao notar que o fio não era suficiente para uma volta inteira na janela? Astuto, depois de breve reflexão, resolveu o problema improvisando um “N” (“N de Natal” contou orgulhoso aos tios quando chegaram em casa a noite). Brasileirasso, nem precisou da teoria de que a hipotenusa é sempre menor que a soma dos catetos, apenas na observação foi lá e fez.

Sabe quem também tem um nome que começa com N? É.

E adolescente não enxerga “N” de Natal instalado em cima de apartamento de crush alheio. O adolescente só vê maldade. A avenida lá do prédio era mão única, de modo que na primeira noite, todo mundo que chegou da rua já foi recebido pelo tal “N na janela”.

A zoeira do “N na janela” se estendeu por aquele dezembro, na intensidade que as zoeiras das turmas de prédio se estendem em dezembro: intensa como as férias – até sumir em janeiro quando parte do grupo vai deixar de ser rebelde passando as férias na casa da vó.

Mas as vezes, em dezembro, o assunto ainda surge na mesa do bar, com o gosto de piada interna e saudosismo, já que tive a sorte de escolher a minha família na turma do prédio e lembro de tudo isso quando a menina loira que apresento pra todo mundo como minha irmã fala “Lembra do N na janela?”.

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