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China, Londres, Viagem

Aquele sobre viajar sozinha – BEDA #23

Tão clichê quando escrever uma lista bocó sobre as mudanças fenomenais que você sofre ao viajar sozinha, é fazer outra lista bocó explicando que não são tão fenomenais assim as mudanças que você sofre ao viajar sozinha. Mas eu jamais, em toda a minha vida, disse que não era trouxa.

Não viajei muito nessa vida, mas duas das três vezes em que saí do Brasil, fui solo: Hong Kong para o intercâmbio da faculdade (50 dias sem conhecer ninguém) e Londres (12 dias a trabalho). Viajar sozinha é maravilhoso? É sim! Dá uma sensação de bem estar e independência? Dá sim! Mas existe um grande exagero nessas listas de “n motivos para se viajar sozinho” (normalmente escritas pela mesma galera do “larguei tudo e fui viajar o mundo”).

As vantagens sobre a escolha do roteiro ser exclusivamente sua (eu amo passar em TODOS os supermercados) e o mau humor ser unicamente seu são indiscutíveis, mas não recomendo esperar uma mudança radical de vida.

Aqui, uma humilde divagação da casa sobre essas questãs:

“Nooooossa, porque o auto conhecimento!”

Eu tenho a profundidade emocional de uma colher de chá e não tive nenhuma grande revelação andando 108 km a pé, então não sou bom exemplo, mas acho que se você já paga suas contas, troca a areia do gato e lembra direitinho que dia vence o aluguel e a luz, não vai ser grande evolução. A gente aprende e absorve muita coisa em uma viagem sim, mas o resultado é muito mais a longo prazo, ninguém volta uma nova pessoa depois de quinze dias fora (seus pés no entanto, podem voltar completamente massacrados e diferentes).

Talvez as pessoas mudem pelo fato de andar sozinhas, não pela viagem em si. A gente aprende tanto (ou mais) sobre si mesmo quando enfrenta os estereótipos e sai pra jantar sozinha na própria cidade, pega a fila do cinema sem ninguém (perto de vários casais) e fica encarando o teto na primeira noite na casa alugada porque o dinheiro ou dava pro calção do aluguel ou dava pra televisão.

viajar-sozinha-2.jpgAs vezes é só você, mil budas e um macaco que morde pessoas em 9849840 degraus.

“Sai mais barato viajar sozinha”

Só na conta de quem é de humanas. Quarto dividido sai mais barato, refeição dividida sai mais barato. Em Londres, por exemplo, tem aquele programa 2×1 para turistas e todos os restaurantes de Chinatown fazem promoção para grupos a partir de 2 pessoas.

“Você vai absorver mais da experiência e ter uma visão só sua”

Nem sempre. E isso pode nem ser bom. Mesmo que você faça muitos amigos lá, a visão que vai trazer pra casa é só a sua e ela pode vir distorcida. Discutir e debater cada nova experiência e cada novo perrengue pode ser muito construtivo.

“Você vai ficar mais independente”

O nome desse sentimento é aluguel pago.

E umas diquinhas:

A segurança

Nesse ponto (também) não sou parâmetro, sou muito desencanada. Claro que vale sempre o Google sobre a segurança na cidade e vale o lembrete que quem sai pra passear é você e não todos os seus pertences. Meu apuro máximo foi O Caso do Albergue em Hong Kong, mas na hora costuma dar tudo certo.

(se você quiser o conselho de alguém mais razoável, fala com a Vy)

Você vai sair em menos fotos

Não sou uma grande praticante da modalidade selfies. Parabéns pra quem é, pra quem não é segue em frente tem outras foto. Outro ponto que ninguém põe na conta aqui é que viajando sozinho temos apenas 01 pessoa para carregar equipamento.

Procure alguém com uma máquina boa

Se você quiser fotos para a posteridade (eu sempre quero), escolha alguém pela câmera e não pelo rosto (mesmo que tão bonito o rosto). Se a pessoa estiver carregando até um tripé: prazer, esse é o seu melhor amigo agora. Vai saber regra dos terços, vais saber pegar o fundo, vai saber que não pode contra a luz. Não sei o que acontece com as pessoas, que as vezes na China eu pedia uma foto na frente de um monumento e era agraciada com uma mais que perfeita 3×4.

Em Hong Kong , pedi uma foto para um casal de japoneses cujo qual cada um carregava uma Leica. E: eles começaram a discutir entre si. Pelos gestos e pelo que se seguiu (cada um bateu uma foto minha: AmEi!), ela acreditava que uma foto mais de cima seria mais adequada e ele preferia algo mais reto. Ela estava correta.

viajar-sozinha-3.jpg

Só você, e apenas você, vai carregar sua mala

Isso, aquela lá que nem fechar fechava até sentar em cima.

 

Em resumo é isso. As vantagens de viajar sozinho são muito mais sobre a sua personalidade (eu e minhas amigas que costumam fazer isso somos extremamente antissociais) e sobre a experiência que você já tem, do que a experiência que você vai ter lá.

Quem costuma publicar esses textos motivacionais e resolve ir pra Europa se libertar, mas julga quem sai pra jantar sozinha. Por anos levantei a bandeira de que você não deve depender de ninguém pra sair de casa, mas se forçar a fazer algo sozinho nessa busca do Santo Graal, acho pouco produtivo. Sem contar que essas viagens de auto-conhecimento nunca envolvem moeda local ou a passagem pra Cotia (ótimo lugar, me chamem), sempre tem que ser mais pinterest.

viajar-sozinha.jpgA primeira foto da plataforma ficou 01 droga, aí fui lá, achei outra pessoa com outra câmera, dei meu celular e tirei de novo.

Compras, Londres, Viagem

Londres: Compras na Primark – BEDA #16

Queria muito dizer que sou imune ao capitalismo e que fui à Londres focada apenas na cidade, na cultura, na boa cerveja, mas né: eu também tinha 01 sonho chamado Primark.

E aí o leitor de coração peludo pode vir a dizer “Ah, mas nada lá presta, as roupas rasgam sozinhas, é coisa de deslumbrado” e eu posso vir a responder “Gente, vamos ter 01 pouquinho de calma?”.

De fato, com a conversão 01 golpe para 4.58 rainhas da época da minha viagem, não era tão vantajoso assim encher as malas de roupas. As peças que tinham uma qualidade do nível da Forever 21 (nunca me deixou na mão) saiam o mesmo preço da Forever 21, e nessas de trocar o certo pelo duvidoso, eu não trouxe.

O que eles tinham muito e eu amei até a mais profunda fibra do meu coração eram as jeggings (jeggings, please come to brazil), que como o nome maravilhoso diz são aquele híbrido de legging e jeans. Eu sei que tem pra vender aqui, mas é difícil de achar e custa tanto quando um jeans bom, o que tira parte do encanto. Eu comprei uma porque lá engordei e inchei muito (cerveja a uma libra e cinquenta no mercado, eu bebia e comia maltersers TODO DIA). Usei quase todo dia (mesmo) por uns seis meses e aí rasgou, mas paguei nem 30 reais. Pra mim valeu.

Agora o que poucas blogueiras compartilham nos ~v1D3oS de C0mPr1n4aS~ é que as sessões de acessórios e decoração & inutilidades da Primark são melhores do que qualquer loja de roupa. E eu trouxe tudo que dava:

Kits de Meias

Eles vendem kits de 6 meis por 2 libras e as estampas vêm todas combinandinho! É uma coisa que as perna da virginiana chega a tremer. Comprei um kit de 2 libras e um de 3. O de 2 é mais fininho, mas o de 3 são as melhores meias que já comprei e eu tô bem triste de não ter trazido 30. 🙁

Comprei meias finas fio 40 também porque o preço no brasil é impagável fora temer pra uma coisa que eu desfio sozinha dentro de casa me arrumando. MELHOR MEIA CALÇA DA VIDA, usei mais de dez vezes, não desfiou e que toque macioooo.

Modeladores

Já falei dos problemas com meu peso e por um tempo associei modeladores com muita dor, mas esses me pareceram confortáveis e eu queria pra colocar em baixo de uns vestidos transparentes.

2 lenços, 2 xales, 3 cachecois

Compras na Primark

O mais caro foi 5 libras e eu achei 01 pechincha. Antes de viajar tinha procurado coisas assim na Forever 21 e C&A e não achava nada por menos de 69 reais?! Qualidade totalmente excelente.

1 cachecol redondo duas toucas

Compras na Primark

Amo esses cachecóis! Comprei também toucas que aqui ou é caro ou é horroroso. Desculpa o momento classe média sofre.

Porta Bijuteria de Unicórnio

01 momento da sua atenção por favor para o meu porta-bijuteria de unicórnio! Trouxe pra mim e pra uma amiga, ele e o irmão vieram enrolados nos cachecóis na mala despachada, chegaram inteiros e passam bem.

Bolsas de Água Quente

Compras na Primark

Foram as vozes. Tinha visto uma blogueira com a de unicórnio e pensei “Afffff”, cheguei lá e trouxe a coruja pra mim e o cachorro pra uma amiga. São bolsas de água quente com capinha de bichinho e eu AMO ser ridícula.

Aromatizador

A Primark vende MUITAS velas, mas eu tenho as gatas. Aí comprei esse aromatizadorzinho pra matar a vontade. Não abri ainda porque trouxe outro mini na Poundland que tá durando horrores (mas o da Poundland o cheiro é mínimo e ele só tá sendo decorativo tipo o Temer).

E O PIJAMA DE CHEWBACCA

Ob1vI1m3nT3 que o objetivo todo de ir na Primark eram os pijamas de bichinho e eu fui com a mente preparada pra ser ridícula de verdade e já trazer dois. Chegando lá só tinha coisa feia e eu fiquei arrasada, até… ir na sessão masculina. E ele estava la. Meu Chewie. Meu. Só meu. Nem nos meus sonhos mais loucos eu achava que ia colocar as mãos nesse pijama que eu vi em tantos pinterests da vida, mas a vida nos uniu. Obrigada, universo, estamos muito felizes!

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BEDA 2017 - Se Organizar Todo Mundo Bloga

Londres, Viagem

No Man’s Land: o dia em que vi Ian McKellen e Patrick Stewart – BEDA #8

Escrevi todos os posts de Londres de uma vez (pois Dory) e não sei ao certo se foram vinte ou trinta as vezes em que disse que fui viajar na mais completa e total correria. Bom, fui viajar na mais completa e total correria. Nem pensei em todos os teatros enormes e famosos da cidade (só o com Harry Potter).

O flyer de No Man’s Land estava num display no desembarque do aeroporto, Ian McKellen e Patrick Stewart estavam ali, nossos olhos se encontraram, foi amor sim, mas quando é que uma peça dessas ia ter ingresso pros próximos dez dias, né? Quiçá dez meses, com direito a acampar na fila, choro, dor e sofrimento. E quanto isso não ia custar. Joguei na mochila e só fui pensar no assunto de novo três dias depois, quando por coincidência desci em frente ao teatro indo comer em Piccadilly.

wyndham's theatre

Entrei no site no dia seguinte só de curiosidade pra saber quanto custaria ver de Ian e Patrick na terra da rainha.

Dez libras.

Considerando o número de vezes em que me perdi naquela semana, que olhei para o lado errado na hora de atravessar a rua e que confundi conceitos básicos, obviamente achei que era só mais um erro.

Porém contudo todavia entretanto não era.

Eram disponibilizadas doze vagas toda sessão pra você assistir a peça por dez libras: em pé.

Comprei um ingresso pra semana seguinte. Minha penúltima noite em Londres.

patrick stewart and ian mckellen in no man's land tickets

Com toda a minha experiencia de pescar dialogo em transporte público, ouvi várias conversas no dia da peça e confirmei que lá é como cá: ingressos a partir de 55 libras (250 reais na epoca), esgotados com sete meses de antecedência, disputadíssimos, etc, etc. O que acontece de diferente são esses lugares em pé e uma cota de lugares reservados para convidados, que pode ser liberada pra venda alguns dias antes da apresentação (no caso de Cursed Child, chama Friday Forty).

wyndham's theatre

wyndham's theatre

Comprei o ingresso pela Internet (sem taxas), com meu travel card (que nem meu nome impresso tem, tinha um “the traveller”). No dia levei a documentação que provava que o cartão era meu e meu RG mesmo porque eu não gosto de andar com passaporte. Quando entrei no salão um funcionário me levou até a área limitada para os standing spots e disse que eu deveria ficar em pé o tempo todo.

É de boa assistir de pé?

Olha, é muito de boa, pode apoiar na parede e duas horas não é tanto assim. Mas era minha penúltima noite em Londres e e eu estava andando uma média de dez quilômetros por noite nessas de bater perna sem rumo pela cidade (fora o fim de semana). A essa altura, cada passo me fazia pedir pra Deus me levar.

Fica longe?

Não! No geral, os teatros de Londres são MUITO pequenos (fonte: pessoal da firrrma que conheci lá), então qualquer lugar já é muito perto.

Mas dá pra sentar?

A peça começou com alguns lugares vazios, mas depois de quinze minutos teve uma segunda chamada para atrasados. Mesmo assim, restou uma sequência de cinco lugares na penúltima fileira.

E eu queria TANTO sentar, mas né, não queria ser a primeira porque “noooooossa, tinha que ser a brasileira“. Um casal (inglês, juro jurandinho, conversei com eles no intervalo), foi na frente, eu segui e mais duas meninas fecharam o bloco. Sentamos.

Acontece sempre? Eu não apostaria.

patrick stewart and ian mckellenTeatro pequeninim.

no man's land seatsEssa é a visão da penúltima fileira.

No man's landIan McKellen e Patrick Stewart ISSO É REAL?!

Tá aí uma coisa na vida que eu nunca nem cogitei sonhar que ia acontecer. Foi maravilhoso? Foi? Eles não mesmo incríveis? Os melhores. E estavam ali na minha frente. :,)

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