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China

China, Diarinho, Rússia, Viagem

Aquele sobre a China, a Rússia e o tempo – MiniBEDA #7

Eu fui pra China com 23 anos. E foi intenso e incrível como se pode imaginar. E eu queria morar lá pra sempre. E até pensei sobre isso na época, mas achei que não valia a pena construir carreira em um país sem lei trabalhista ou previdência (risos nervosos).

Ir pra China com 23 anos foi incrível, mas não sei se pela imaturidade, pelo medo ou pelo susto, a experiência me parece muito mais surreal e inacreditável quando penso sobre ela hoje aos quase-30, do que fui capaz de digerir na época. Hoje ainda é um pouco irreal pensar que ~cacete, eu, eeeeeeu, passei dois meses na China~. E na época, acho que na época não deu tempo de pensar em nada.

Mas a situação Rússia foi processada em sua plenitude antes, durante e depois do ocorrido em uma espiral constante de ~cacete, eu, eeeeeeeeu, estou indo/andando/voltando da Rússia~. Quando eu fui pro meu primeiro show (e alguns shows depois daquele e todos os shows de membros do Guns N Roses que se seguiram), eu experimentei uma sensação que é um misto do que a Emma Watson fala sobre ser infinito e do que a Catherine Willows no CSI chama de King Kong on Cocaine. A Rússia foram sete dias daquilo. E você não passa por isso sem ter a vida mudada. Só que ao contrário dos filmes e séries, a mudança não vem toda de uma vez. Você vai descobrindo as consequências disso todo dia e aos pouquinhos. Ainda não descobri tudo.

Moscou, 2017 - APTO 401

China, Londres, Viagem

Aquele sobre viajar sozinha – BEDA #23

Tão clichê quando escrever uma lista bocó sobre as mudanças fenomenais que você sofre ao viajar sozinha, é fazer outra lista bocó explicando que não são tão fenomenais assim as mudanças que você sofre ao viajar sozinha. Mas eu jamais, em toda a minha vida, disse que não era trouxa.

Não viajei muito nessa vida, mas duas das três vezes em que saí do Brasil, fui solo: Hong Kong para o intercâmbio da faculdade (50 dias sem conhecer ninguém) e Londres (12 dias a trabalho). Viajar sozinha é maravilhoso? É sim! Dá uma sensação de bem estar e independência? Dá sim! Mas existe um grande exagero nessas listas de “n motivos para se viajar sozinho” (normalmente escritas pela mesma galera do “larguei tudo e fui viajar o mundo”).

As vantagens sobre a escolha do roteiro ser exclusivamente sua (eu amo passar em TODOS os supermercados) e o mau humor ser unicamente seu são indiscutíveis, mas não recomendo esperar uma mudança radical de vida.

Aqui, uma humilde divagação da casa sobre essas questãs:

“Nooooossa, porque o auto conhecimento!”

Eu tenho a profundidade emocional de uma colher de chá e não tive nenhuma grande revelação andando 108 km a pé, então não sou bom exemplo, mas acho que se você já paga suas contas, troca a areia do gato e lembra direitinho que dia vence o aluguel e a luz, não vai ser grande evolução. A gente aprende e absorve muita coisa em uma viagem sim, mas o resultado é muito mais a longo prazo, ninguém volta uma nova pessoa depois de quinze dias fora (seus pés no entanto, podem voltar completamente massacrados e diferentes).

Talvez as pessoas mudem pelo fato de andar sozinhas, não pela viagem em si. A gente aprende tanto (ou mais) sobre si mesmo quando enfrenta os estereótipos e sai pra jantar sozinha na própria cidade, pega a fila do cinema sem ninguém (perto de vários casais) e fica encarando o teto na primeira noite na casa alugada porque o dinheiro ou dava pro calção do aluguel ou dava pra televisão.

viajar-sozinha-2.jpgAs vezes é só você, mil budas e um macaco que morde pessoas em 9849840 degraus.

“Sai mais barato viajar sozinha”

Só na conta de quem é de humanas. Quarto dividido sai mais barato, refeição dividida sai mais barato. Em Londres, por exemplo, tem aquele programa 2×1 para turistas e todos os restaurantes de Chinatown fazem promoção para grupos a partir de 2 pessoas.

“Você vai absorver mais da experiência e ter uma visão só sua”

Nem sempre. E isso pode nem ser bom. Mesmo que você faça muitos amigos lá, a visão que vai trazer pra casa é só a sua e ela pode vir distorcida. Discutir e debater cada nova experiência e cada novo perrengue pode ser muito construtivo.

“Você vai ficar mais independente”

O nome desse sentimento é aluguel pago.

E umas diquinhas:

A segurança

Nesse ponto (também) não sou parâmetro, sou muito desencanada. Claro que vale sempre o Google sobre a segurança na cidade e vale o lembrete que quem sai pra passear é você e não todos os seus pertences. Meu apuro máximo foi O Caso do Albergue em Hong Kong, mas na hora costuma dar tudo certo.

(se você quiser o conselho de alguém mais razoável, fala com a Vy)

Você vai sair em menos fotos

Não sou uma grande praticante da modalidade selfies. Parabéns pra quem é, pra quem não é segue em frente tem outras foto. Outro ponto que ninguém põe na conta aqui é que viajando sozinho temos apenas 01 pessoa para carregar equipamento.

Procure alguém com uma máquina boa

Se você quiser fotos para a posteridade (eu sempre quero), escolha alguém pela câmera e não pelo rosto (mesmo que tão bonito o rosto). Se a pessoa estiver carregando até um tripé: prazer, esse é o seu melhor amigo agora. Vai saber regra dos terços, vais saber pegar o fundo, vai saber que não pode contra a luz. Não sei o que acontece com as pessoas, que as vezes na China eu pedia uma foto na frente de um monumento e era agraciada com uma mais que perfeita 3×4.

Em Hong Kong , pedi uma foto para um casal de japoneses cujo qual cada um carregava uma Leica. E: eles começaram a discutir entre si. Pelos gestos e pelo que se seguiu (cada um bateu uma foto minha: AmEi!), ela acreditava que uma foto mais de cima seria mais adequada e ele preferia algo mais reto. Ela estava correta.

viajar-sozinha-3.jpg

Só você, e apenas você, vai carregar sua mala

Isso, aquela lá que nem fechar fechava até sentar em cima.

 

Em resumo é isso. As vantagens de viajar sozinho são muito mais sobre a sua personalidade (eu e minhas amigas que costumam fazer isso somos extremamente antissociais) e sobre a experiência que você já tem, do que a experiência que você vai ter lá.

Quem costuma publicar esses textos motivacionais e resolve ir pra Europa se libertar, mas julga quem sai pra jantar sozinha. Por anos levantei a bandeira de que você não deve depender de ninguém pra sair de casa, mas se forçar a fazer algo sozinho nessa busca do Santo Graal, acho pouco produtivo. Sem contar que essas viagens de auto-conhecimento nunca envolvem moeda local ou a passagem pra Cotia (ótimo lugar, me chamem), sempre tem que ser mais pinterest.

viajar-sozinha.jpgA primeira foto da plataforma ficou 01 droga, aí fui lá, achei outra pessoa com outra câmera, dei meu celular e tirei de novo.

Brasil, China, Viagem

Meme: Bloggers Out and About

A Babee, minha designer preferida, me indicou pra o meme da viagem, e foi estranho pensar nessas respostas, porque apesar de ter crescido com ambições malucas de Rory Gilmore, até janeiro do ano passado eu conhecia basicamente duas cidades: São Paulo e Hong Kong (?!?!?!), além de umas outras três ou quatro de viagens de infância. Depois disso devo ter passado por… vinte e sete? haha

Em 2015, comecei a viajar a trabalho, o que apesar de ser bem menos glamouroso do que parece (porque é basicamente avião-carro-escritório-carro-avião), é incrível e deixa a Rory-Nicas de 15 anos com uma mega sensação de dever cumprido. Aí também teve aquela vez em julho que andei 108km a pé (a gente vai falar disso dentro de alguns posts) e teve também uma mega ~road trip~ no fim do ano. Veja só você.

Ah, também teve aquela vez em que a gente foi fazer uma trilha e escalar uma montanha de madrugada e teve certeza que ia morrer (dessa vez foram duas cidades na conta).

Que delícia viver. Que delícia viajar.

1. Onde você nasceu?

Nasci em São Paulo e cresci na Zona Leste, que como a Babee colocou muito bem, é um lugar que nunca sai da gente.

2. Onde você mora hoje?

Ainda em São Paulo, mas não mais na ZL.

3. Qual foi o destino da sua última viagem?

Fiz uma ~road trip~ pelo sul do Brasil, foram 3000 km, 10 cidades, 03 estados, 03 cavernas, 02 cachoeiras, 02 praias, 02 missões jesuíticas, 01 pedalinho e 01 pronto socorro.

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4. Qual o destino da sua próxima viagem?

São questões. Mas a coisa mais ambiciosa que tenho em mente no momento é uma viagem pra Argentina pra fazer uma tatuagem!

5. Qual foi a sua melhor viagem?

Hong Kong! <333 Sabe onde fica HK, gente? Na China! Eu fui pra China, fiquei dois meses na China! Fiz intercâmbio na… China! O quão surreal e maravilhoso é isso?! Fui sozinha, passei dois meses sem ninguém, num lugar que até exatos três meses antes do embarque, eu não sabia nem falar o nome direito (quase não sabia que existia). E lá, desde a hora que eu acordava até a hora de dormir, tudo era novo e diferente, desde o chuveiro pra tomar banho de manhã (aperta o botão e sai 30 segundos de água hihihi) até a água viva que comi no jantar de boas vindas.

APTO 401 - Bloggers Out and About - Hong Kong

6. Qual o lugar mais bonito que você já visitou?

Ten Thousand Buddhas Monastery. HK é inteira maravilhosa porque tem a zona urbana mais linda, aí você anda 01 (um) kilometro e chega na praia mais linda e anda mais 01 (um) kilometro e chega na reserva florestal mais linda, mas esse monastério tem, literalmente, dez mil esculturas de buda, algumas do seu tamanho (que te acompanham numa subida surreal até o topo do morro onde ele fica) e alguns pequenininhos, que lotam prateleiras do chão ao teto de um salão gigantesco.

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7. Que lugar você quer muito visitar?

Japão. Mas Japão level hard, Japão velocidade cinco do créu. Não queria ir pra ficar dez dias batendo perna em zona turística, no meu mundo dos sonhos queria ir pra passar logo um mês. Respirar Japão, tatuar Japão no corpo.

Também queria ir pro Camboja e pro norte da China, porque só fui pra umas cidades bem na fronteira do sul.

8. Qual lugar você não tem tanta vontade assim de conhecer?

Praias do nordeste. Não gosto de praia, quer dizer, eu gosto, tem sorvete e ondinhas e a gente entra na água e se tiver dinheiro pode comer camarão, mas pra mim praia é tudo igual e tem areia e tem calor. E Nordeste, tão caro. Não gastaria dinheiro pra ir até lá.

9. Onde você gostaria de estar agora?

Qualquer hora na vida em que você me perguntar isso, vou responder que queria estar em Hong Kong. Ou dormindo. Ou dormindo em Hong Kong.

10. Onde é o seu “lar”, o lugar onde você se sente mais feliz e por que?

Montei minha kitnet, né? Talvez uma gata entre aqui daqui uns tempos (são questões). Chegar em casa a noite e deitar no meu sofá pra ver a minha tv com meu netflix e minha internet é um sonho antigo que estou curtindo ao máximo.

E agora passo a bola pra Line (que voltou a blogar), pra Nambs, Paula e Anna. <3


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