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Aquele de Curitiba – miniBEDA #10

Eu admiro muitos tatuadores. As vezes (quase sempre) acontece deles serem da Coréia do Sul, da Rússia ou da Ucrânia. Mas as vezes também pode acontecer de uma ucrâniana incrível decidir mudar para o Brasil. Em um dia bem mágico pode acontecer dela postar que tem agenda pra dali menos de 45 dias. E foi assim que fui parar em Curitiba: pra fazer uma tatuagem.

Cheguei na República de Curitiba sábado às 06:30 da manhã. Você sabe o que está aberto sábado às seis e meia da manhã? Nada é o que está aberto sábado às seis e meia da manhã.. Então esperei dar sete horas e segui para o Mercado Municipal, que era o que abria mais cedo no meu roteiro e ficava a poucos metros da rodoviária. O Mercado é lindo, limpo e super organizado. Tem muitas lojinhas japonesas (algumas mais completas que as da Liberdade), e até hoje foi o lugar com a maior variedade de kitkats que já visitei (2 tipos que eu nunca tinha visto e 2 que são mais ou menos difíceis de achar). Foi em uma dessas lojas que comprei meu café da manhã. Vi também vários tipos de cerveja e xaropes para fazer drinks, o preço era mais em conta que SP.

Passeios em Curitiba - Mercado Municipal

Munida dos meus recém adquiridos oniguiris, fui para ele, sim, o Jardim Botânico (que decobri abrir às 06 e não às 09 como diziam TODOS os sites oficiais).

Ele é lindo? Ele é. Mas é pequeno. Bem pequeno. E é bom ir com isso em mente. Cheguei lá umas 08:30 e achei o horário ótimo, estava fresquinho, com luz bonita e ainda vazio – às dez já tinha um baita tumulto na frente das estufas por motivo de selfies, evite.

Passeios de Curitiba - Jardim Botânico

Passeios de Curitiba - Jardim Botânico

Passeios de Curitiba - Jardim Botânico

Passeios de Curitiba - Jardim Botânico

Passeios de Curitiba - Jardim Botânico

Veja bem, eu tinha separado uma manhã inteira para ir e voltar do Jardim Botânico, mas Curitiba (além de ser frio) tem essa coisa de que tudo é perto e antes das onze eu já estava livre pra riscar mais um item da minha lista: O Passeio Público.

O Passeio Público é um dos 6574169 parques da cidade e é um hibrido de parque e zoologico, tem muitas aves, uma pequena sala de répteis, uma pequena sessão de aquários, macacos e claro, capivaras. É bem gostosinho, mas se você tiver pressa e não for uma entusiasta de “nhooow, bichinhoooos” como eu, pode pular.

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Roteiros de um dia em Curitiba

Passeios de Curitiba

Como tudo é perto em Curitiba (comentei isso? porque é perto MESMO), saí de lá para o Café Botanique, passando pelo Largo da Boa Ordem (e pela Casa Garibaldi), que é uma graça, mas ao contrário dos domingos quando tem feirinha, de sábado lá só tem um monte de rrrockeiros bêbados, restos da noite anterior.

E aí o Botanique, né? A maior atração de Curitiba. O sonho de todos nós, crias do Pinterest, turistas de Instagram. Já falei em várias redes que foi como entrar no Pinterest e sentar no Pinterest e comer comidas do Pinterest, com sucos do Pinterest estando rodeada por plantas do Pinterest. Achei o atendimento atencioso e nada blazé como acontece em 90% dos estabelecimentos embuste do tipo em São Paulo. A comida era ótima e as meninas foram acolhedoras o suficiente fingindo não se importar com as 9890808 fotos que tirei ou com o tempo que usei o wifi ou com as 65679 voltas que dei no lugar. De todos os lugares que visitei, o Botanique foi o preferido, foi o que com certeza vou voltar e posso também já estar com saudades imensas. A comida estava ótimo, o preço foi honesto, o ambiente era acolhedor. Te amo, Botanique!

Roteiros de um dia em Curitiba - Cafe Botanique

O estúdio era ali pertinho também (sério, as pessoas deviam parar de falar do frio em Curitiba e se gabar dos tempos de deslocamento) e aí entrei pra minha sessão de sete horas.

Roteiros de um dia em Curitiba - Jardim Botânico

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108km a pé – dia 04: Dona Natalina e o fim dos 108 km

Expliquei o onde, o como, o quando e o porque dessa coisa toda de andar aqui e todos os posts sobre o assunto você encontra aqui.

Desde que comecei a conversar com conhecidos sobre o Caminho da fé, todo mundo me falava da ~subida da Serra dos Lima~. E veja bem, chegou o dia de sermos formalmente apresentadas. E eu agradeço cada aviso sobre o caráter dessa zinha.

A vista é linda. De doer. E a inclinação também, de doer mais ainda. Mas deu pra subir em mais ou menos uma hora. Era uma coisa de uns 100 metros por vez, aí para, aí vem água e uma vez vieram também dois sachezinhos desses de energético porque a minha pressão dava sinais de que tinha decidido ficar lá em baixo mesmo beijo até amanhã.

Depois dessa subida veio a Pousada da Dona Natalina, essa mulher miudinha que tem as mãos da minha avó e um coração que parece ser grande igual. Sei histórias lindas dela (e do falecido marido, que me dói no coração, cada vez que eu penso nela lá sozinha), mas não são minhas pra contar. Minhas são as lembranças do pão com ovo (que também tinha o gosto do da minha avó) e dos cachorros mais legais do mundo: Sadan, que se esconde no mato pra derrubar motoqueiros e ciclistas (e por isso precisa ficar preso, mas abraça todo mundo que chega perto dele), Xuxa e duas outras figurinhas maravilhosas, uma delas nasceu sem o maxilar de baixo, o que faz com que ande o dia inteiro com a língua pendurada por aí.

Ainda eram nove da manhã e, por mais que a vontade fosse de ficar ouvindo histórias com a voz da Dona Natalina acalmando o coração de todos os males da humanidade, seguimos (descemos) pra Barra. Pra carimbar em outra pousada gostosa, cheia de bicho e gente de coração bom.

Foi só nos últimos dez quilômetros que o corpo puxou mesmo, mas acho que era o psicológico de saber que estava acabando. Foi o trecho que a gente fez mais acelerado, porque eu sentia que andando mais, doía menos.

Nesse finzinho eu já questionava se cumpriria essa minha meta de andar 100km todo ano até completar os mais de 400. Hoje já estou mandando convites pros amigos e penso o tempo todo nas histórias que ouvi por lá.

Caminho da Fé

Pousada da Dona Natalina

Pousada da Dona Natalina

Pousada da Dona Natalina

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Não tive nenhuma grande revelação no Caminho da Fé (além daquela coisa toda de amar fotografar vacas), mas sou mais feliz por saber que ele existe, que pessoas tão carinhosas assim estão lá. E que elas são felizes de um jeito que querem dividir com todo mundo.

Dúvidas? Questões? Agonias? Questionamentos? Me pergunta nos comentários que esse é o meu assunto favorito acho que pro resto da vida!

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BEDA #25 108km a pé: dia 03

Expliquei o onde, o como, o quando e o porque dessa coisa toda de andar aqui e todos os posts sobre o assunto você encontra aqui.

O trecho que vai de Águas da Prata até Andradas tem 32km, com uma única opção de parada no meio do caminho, um hotel com fama de não ser muito receptivo. Decidimos que passaríamos por ele, mas que se a coisa não estivesse no mínimo muito maravilhosa, seguiríamos viagem, mesmo que destruídos, até o final. E foi o que fizemos.

Nesse dia, no meio do caminho tinha um Pico do Gavião, o que basicamente significa que você só sobe, sobe, sobe o dia todo. Algumas horas sobe muito, algumas horas pouco, mas é basicamente isso, você sobe. E é bem tranquilo.

De novo foram vacas (e fotos de vaca, meu deus, melhor esporte da vida fotografar vaca), cavalos, tucanos (!), macacos (!!!), uma coruja e patos/marrecos (que estavam presos, ainda bem, por que você já viu os dentes desse bicho?!).

Tem bem menos sol nesse pedaço, por conta de uma vegetação linda! Então rende tudo muito bem. Fizemos 22km de manhã, almoçamos nesse hotel aí e fizemos mais 10km a tarde, quando atravessamos a pontezinha da divisa de SP e MG. <3

Essa cidade também não tem pousada caseira (é uma das últimas assim, daqui até Aparecida quase todas as hospedagens são na casa das pessoas) e ficamos num hotel bastante confortável e hospitaleiro.

Depois de um banho, saímos para explorar a cidade (lê-se comprar cerveja, porque outro grande charme dessas cidades é que a cerveja é muito barata) e passando pela recepção um funcionário aponta: “Olha! Peregrinos!”. Estranhei, porque já não estávamos mais vestidos ~a caráter~ e ele me respondeu “Só os peregrinos andam dando pulinhos“.

E é verdade. Depois de 74km, o corpo doía sim, mas não era nada insuportável (até menos que nos poucos dias da vida em que tentei ser musa fitness, porque também dói de um jeito mais uniforme, bem diferente da academia). Acho que a maior diferença mesmo é que a noite o corpo começava a se recusar a reponder (não o culpo). Você não manca e sim… anda dando pulinhos. Outra coisa que não esperava é o tempo que eu demorava pra dormir e a facilidade absurda em acordar às cinco da manhã. Eu sentia o corpo bem cansado e pesado mesmo (no final do dia não era nem tanto os pés, mas as costas), mas ~a mente~ estava mais descansada e leve do que nunca.

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Dúvidas? Questões? Agonias? Questionamentos? Me pergunta nos comentários que esse é o meu assunto favorito acho que pro resto da vida!

 

BEDA 2016


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