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Nova York – Aquele da rotina

15 de janeiro de 2018

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Quando fui pra Londres ano passado, estávamos em um mês de posts temáticos no SOTMB (o melhor grupo da internet) e eu escrevi esse post sobre a minha rotina nas duas semanas que passei na cidade. Aquele texto foi um presente gigantesco, pois me permite até hoje ter o registro das coisas pequenas, das coisas assustadoras, das coisas rotineiras: as coisas que são as mais importantes e as coisas que a gente sempre esquece. Por isso, peço sinceras e efusivas desculpas, mas terei que cometer esse texto novamente.

post rotina nova york

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Minhas manhãs em Nova York começavam às 5 da madrugada, pois minha viagem foi agraciada com o que esperamos ser o último horário de verão de nossos tempos, assim, para chegar no escritório no horário do Brasil, eu precisa levantar no horário do sofrimento. Conseguia sempre? Claro que não. O número de vezes que apertava soneca variava de 1 a 7 (e isso não é uma simbologia para esse eterno 7 a 1 que é viver).

post rotina nova york

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Nos primeiros dias, fazia café na cafeteira do quarto e levava Naquele Copo Americano (baita café) e nos outros dias pegava café no Dunkin Donuts (deus abençoe os Estados Unidos da América) e saía bebendo no caminho, em ambos os acasos me sentindo muito bancária & nova iorquina. E estava escuro e estava frio e eu andava até o metrô pra ver o moço de sempre sentado em baixo da placa com o nome da estação.

post rotina nova york

Aí eu chegava no banco e coisas caóticas e café e mais coisas caóticas e expresso e coisas caóticas e café e donuts e isso ia até as 18hrs ou 19hrs ou 20hrs.

E aí eu saía. Achando que dessa vez estava exausta e que só ia pro hotel mesmo. Mas eu chegava no térreo e olhava pra cima e: Aquela Cidade! E eu me sentia TÃO feliz. E era TÃO inacreditável. Eu. Trabalhando lá. Em Nova York. E aí passava um táxi amarelo. E eu andava mais uns quarteirões e vinha aquela explosão de luzes da Times Square e parecia que eu ia ficar ligada no 220v pra sempre, mas era só felicidade. Uma felicidade muito pura mesmo e aí era só… natural.

Eu me sentia tão BEM.

post rotina nova york

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E aí eu andava e andava e andava. E tinha sim muitas lojas. E comidas gostosas. E eu andava mais. Até fechar tudo. Aí pegava o metrô e descia na estação perto do hotel e andava, sem me perder na volta. Depois que eu peguei a manha, também tinha um mercado que vendia Brooklyn long neck sem ser 6-pack no caminho. Aí era hora daquela esticada boa vendo a tv da América no mudo, tratando as fotos que eu estava amando TANTO tirar e aí já era uma da manhã quando batia aquele soninho do álcool. Era natural e era incrível. E era super feliz.

rotina nyc

Pessoal, Viagem

Aquele sobre Nova York

11 de outubro de 2017

Até meus 16 anos, meus únicos, previsíveis e nada criativos sonhos de viagem eram Nova York e Londres. Lembro que um dia um amigo me perguntou no pátio da escola qual o motivo de eu querer conhecer esses lugares e eu não soube explicar, até escrevi um post sobre isso em um blog super secreto aquele dia. Doze (12!) anos depois, eu casei com esse amigo e doze (12!) anos depois, mais precisamente nesta terça, eu embarquei para Nova York, que é hoje a cidade no mundo que menos tenho vontade de conhecer. E ainda assim eu quero TANTO conhecer.

Essa é uma viagem que veio no tempo certo. Acho que se fosse a primeira de todas, seria uma coisa deslumbrada, acho que se não viesse nunca, eu, eterna Do Contra, ia sempre desmerecer de longe. Talvez em outro momento eu não estivesse tão aberta a ir e viver de verdade (a princesinha dos julgamentos). Algo me mudou na Rússia e lembrei que em algum momento depois daquela pergunta aos 16 anos eu decidi que eu queria viajar pra cacete.

Além disso, eu estava bem precisada de um processador da KitchenAid.

Desde os meus 16 anos eu não pensava em Nova York, então peço perdão por todas as fotos legendadas única e exclusivamente com frases de Mensagem para Você (uma das MELHORES películas já feitas) e com “ei, bobão, me dá um chicletão“. Não vou ver a Estátua da Liberdade nem topo de edifício nenhum porque a gente pode estar aberta a coisas novas, mas a gente ainda tem certas imagens a manter. Vai ter flood no Instagram e agradeço não apenas o seu like, mas também o seu conselho, nobre internauta, porque apesar se ter estudado ferrenhamente Gossip Girl essas últimas semanas, sinto que podia estar mais preparada. xoxo me segue lá.

Mensagem para Você

Viagem

Aquele sobre viajar sozinha – BEDA #23

23 de agosto de 2017

Tão clichê quando escrever uma lista bocó sobre as mudanças fenomenais que você sofre ao viajar sozinha, é fazer outra lista bocó explicando que não são tão fenomenais assim as mudanças que você sofre ao viajar sozinha. Mas eu jamais, em toda a minha vida, disse que não era trouxa.

Não viajei muito nessa vida, mas duas das três vezes em que saí do Brasil, fui solo: Hong Kong para o intercâmbio da faculdade (50 dias sem conhecer ninguém) e Londres (12 dias a trabalho). Viajar sozinha é maravilhoso? É sim! Dá uma sensação de bem estar e independência? Dá sim! Mas existe um grande exagero nessas listas de “n motivos para se viajar sozinho” (normalmente escritas pela mesma galera do “larguei tudo e fui viajar o mundo”).

As vantagens sobre a escolha do roteiro ser exclusivamente sua (eu amo passar em TODOS os supermercados) e o mau humor ser unicamente seu são indiscutíveis, mas não recomendo esperar uma mudança radical de vida.

Aqui, uma humilde divagação da casa sobre essas questãs:

“Nooooossa, porque o auto conhecimento!”

Eu tenho a profundidade emocional de uma colher de chá e não tive nenhuma grande revelação andando 108 km a pé, então não sou bom exemplo, mas acho que se você já paga suas contas, troca a areia do gato e lembra direitinho que dia vence o aluguel e a luz, não vai ser grande evolução. A gente aprende e absorve muita coisa em uma viagem sim, mas o resultado é muito mais a longo prazo, ninguém volta uma nova pessoa depois de quinze dias fora (seus pés no entanto, podem voltar completamente massacrados e diferentes).

Talvez as pessoas mudem pelo fato de andar sozinhas, não pela viagem em si. A gente aprende tanto (ou mais) sobre si mesmo quando enfrenta os estereótipos e sai pra jantar sozinha na própria cidade, pega a fila do cinema sem ninguém (perto de vários casais) e fica encarando o teto na primeira noite na casa alugada porque o dinheiro ou dava pro calção do aluguel ou dava pra televisão.

viajar-sozinha-2.jpgAs vezes é só você, mil budas e um macaco que morde pessoas em 9849840 degraus.

“Sai mais barato viajar sozinha”

Só na conta de quem é de humanas. Quarto dividido sai mais barato, refeição dividida sai mais barato. Em Londres, por exemplo, tem aquele programa 2×1 para turistas e todos os restaurantes de Chinatown fazem promoção para grupos a partir de 2 pessoas.

“Você vai absorver mais da experiência e ter uma visão só sua”

Nem sempre. E isso pode nem ser bom. Mesmo que você faça muitos amigos lá, a visão que vai trazer pra casa é só a sua e ela pode vir distorcida. Discutir e debater cada nova experiência e cada novo perrengue pode ser muito construtivo.

“Você vai ficar mais independente”

O nome desse sentimento é aluguel pago.

E umas diquinhas:

A segurança

Nesse ponto (também) não sou parâmetro, sou muito desencanada. Claro que vale sempre o Google sobre a segurança na cidade e vale o lembrete que quem sai pra passear é você e não todos os seus pertences. Meu apuro máximo foi O Caso do Albergue em Hong Kong, mas na hora costuma dar tudo certo.

(se você quiser o conselho de alguém mais razoável, fala com a Vy)

Você vai sair em menos fotos

Não sou uma grande praticante da modalidade selfies. Parabéns pra quem é, pra quem não é segue em frente tem outras foto. Outro ponto que ninguém põe na conta aqui é que viajando sozinho temos apenas 01 pessoa para carregar equipamento.

Procure alguém com uma máquina boa

Se você quiser fotos para a posteridade (eu sempre quero), escolha alguém pela câmera e não pelo rosto (mesmo que tão bonito o rosto). Se a pessoa estiver carregando até um tripé: prazer, esse é o seu melhor amigo agora. Vai saber regra dos terços, vais saber pegar o fundo, vai saber que não pode contra a luz. Não sei o que acontece com as pessoas, que as vezes na China eu pedia uma foto na frente de um monumento e era agraciada com uma mais que perfeita 3×4.

Em Hong Kong , pedi uma foto para um casal de japoneses cujo qual cada um carregava uma Leica. E: eles começaram a discutir entre si. Pelos gestos e pelo que se seguiu (cada um bateu uma foto minha: AmEi!), ela acreditava que uma foto mais de cima seria mais adequada e ele preferia algo mais reto. Ela estava correta.

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Só você, e apenas você, vai carregar sua mala

Isso, aquela lá que nem fechar fechava até sentar em cima.

 

Em resumo é isso. As vantagens de viajar sozinho são muito mais sobre a sua personalidade (eu e minhas amigas que costumam fazer isso somos extremamente antissociais) e sobre a experiência que você já tem, do que a experiência que você vai ter lá.

Quem costuma publicar esses textos motivacionais e resolve ir pra Europa se libertar, mas julga quem sai pra jantar sozinha. Por anos levantei a bandeira de que você não deve depender de ninguém pra sair de casa, mas se forçar a fazer algo sozinho nessa busca do Santo Graal, acho pouco produtivo. Sem contar que essas viagens de auto-conhecimento nunca envolvem moeda local ou a passagem pra Cotia (ótimo lugar, me chamem), sempre tem que ser mais pinterest.

viajar-sozinha.jpgA primeira foto da plataforma ficou 01 droga, aí fui lá, achei outra pessoa com outra câmera, dei meu celular e tirei de novo.