O problema de se ter 01 sonho razoavelmente impossível, é que quando ele se torna minimamente realizável você acaba fazendo coisas precipitadas. Em 2016, eu vi o Guns N Roses 3 vezes.

Quando o Guns anunciou o Coachella no começo do ano, cotei passagem, visto e hospedagem porque Aquilo Estava Acontecendo. Eu cotei porque esperava que eles discutissem por algo ridículo e vergonhoso ainda descendo do palco do festival. Mas a realidade é que não dava pra ir pra Los Angeles. Só restava esperar.

E a espera, ela é a mãe do Fogo no Rabo.

Tive muitos sentimentos conflituosos durante esses longos meses. Os shows iniciais eram tão engessados que eu rezei para eles brigarem. Ofendi mentalmente cada um deles (sim, até o Slash). Mas cada mínima melhora era 01 expectativa que dava um coiso estranho aqui no estômago. Cada show sem briga dava aquela esperança engraçada. E se tem uma coisa que eu penso sobre esses senhores é que a gente vai jogar junto. Sempre. Então se eles quiserem fazer papelão com turnê ensaiadinha, faremos isso juntos, seja o que deus quiser.

E aí anunciaram Brasil.

Foram 3 horas apertando F5 pra conseguir a pista premium do show de São Paulo. Bateu o desespero e comprei Brasília no meio tempo “pra garantir”. Cogitei comprar Rio também porque era um momento único. Me contive. Consegui São Paulo também! Aí abriu show extra. Por que não?

Quase quatro da manhã, eles estavam vindo e eu tinha 3 ingressos.

No primeiro show de São Paulo eu passei mal o dia todo. A pressão subia e caía. O estômogo dava voooltas. Tremedeira. Um pânico… 01 pânico. Já tinha visto o Axl três vezes antes (foram 3 shows solo do Slash também) e em todas elas eu cheguei com, no mínimo, 16 horas de antecedência. Nesse dia não deu. Cheguei às três da tarde. E bateu o mais absoluto terror de algo dar errado quando faltavam apenas poucas horas para acabar com os anos de espera. Mas milagres acontecem. O sol de estourar mamona e o Dia Útil do Proletário ajudaram. Consegui 01 gradezinha.

Ver o Axl Project é bom. Vem o Slash com o Myles Kennedy também. Mas juntar os dois com o Duff e com mais um monte de brasileiros completamente malucos é indescritível.

Faltando poucos minutos pra começar, eu achava que ia explodir. Aparentemente uma funcionária do Corpo de Bombeiros pensava o mesmo, porque ela perguntou se eu estava bem e se não precisava tomar uma água (spoiler: no final de Rocket Queen ela abriu a água e me fez beber). Foi um pouco aquela coisa lá daquele filme lá da Emma Watson falando que é infinita. Só que ligado no 220v. Foi maravilhoso.

Guns N Roses - São Paulo

Guns N Roses em São Paulo

Guns N Roses em São Paulo

Deu muito certo em um nível inacreditável. E eu pude sentir tudo sabendo que no dia seguinte ia ter mais.

O show extra eu comprei na arquibancada. Com aquela expectativa de ver de um ângulo novo (afinal eu sempre vi da grade aquelas bem íntimas). Foi lindo e foi grande e nem parecia real. O fã, ele desconhece os limites.

E ainda tinha Brasília.

Guns N Roses em São Paulo

Mas entre os shows de São Paulo e Brasília, a vida aconteceu. A vida aconteceu nível fase na água. Na véspera, com tudo comprado, eu tinha desistido de ir. Não lembro hoje o momento exato em que mudei de idéia, mas acho que foi a inércia de sempre se movimentar em direção ao Guns (ou foi uma coisa chamada Taís mesmo).

Queria poder dizer que esse show, como tantos outros antes dele, me trouxe a resposta do que realmente importa na vida (quem fez isso foi Taís), mas ele trouxe de novo aquela sensação de tudo ao mesmo tempo agora, que eu já não lembrava que era uma das minhas preferidas na vida.

Guns N Roses em Brasilia

Guns N Roses em Brasilia

O problema de se ter 01 sonho razoavelmente impossível, é que quando ele se realiza, você perde a mão. Em setembro eu vou ver o Guns N Roses de novo.

 
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