Sou filha única de mãe e pai, mas tenho uma irmã. Quando eu tinha 13 anos, ela mudou pro apartamento de baixo. E a gente se conheceu porque existia uma suspeita de Caixa 2 no condomínio (before it was cool) e a síndica na época achou que era uma boa idéia colocar duas adolescentes com fama de boas alunas para investigar notas fiscais suspeitas (muito trendsetters). Na difícil tarefa que é crescer, lutar contra desvio de dinheiro foi apenas uma das muitas coisas que nos uniu, e aos 13 anos eu já sabia que ela era minha família.

Odeio & Desprezo quem se refere a entes queridos como meu-alguma-coisa (“porque o MEU-filho”, “porque a MINHA-filha”… odeio essa posse), mas nunca me refiro a ela como outra coisa senão mi’rmã, num misto de orgulho e descrença de que num mundo de 7 bilhões de pessoas, eu tive a sorte da minha pessoa, a minha melhor parte, ter ido morar justamente no andar de baixo.

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Ninguém no mundo parece tanto comigo quanto a minha irmã. Ninguém no mundo é tão diferente de mim que nem a minha irmã é. A gente se vê poucas vezes ao ano, mas mora a 6 pontos de ônibus de distância, o que trás aquela paz de ter um herói particular a um uber de distância. A gente não é de sair junto porque ela é ~dos jovens~ e eu gosto de ficar de pijama e dormir às dez (eu acho ela fascinante). Mas quando se vê, a gente pode ficar 12 horas falando sem parar, entendendo e resolvendo a vida uma da outra como só alguém com 16 anos de completa experiência no assunto pode fazer. Ela é a minha consciência.

Sempre acreditei que família é quem a gente escolhe. Ela foi a minha escolha mais acertada.

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