Esse perfil não conta calorias e esse perfil sonha em conquistar o título de maior somelier de Kit Kats da galáxia. Isso aqui não é blog fitness e JAMAIS condena o consumo de qualquer porcaria alimentícia (inclusive, me chamem!). O Whole 30 foi uma coisa que eu fiz em janeiro do ano passado, porque estava com sérios problemas de disposição e ansiedade, e que me ajudou (muito!). Estou dividindo um pouco dele por aqui.

Eu fiquei muito feliz que as pessoas vieram perguntar cousas do Whole 30 no outro post. 🙂 E então, tal qual as boas almas que disponibilizam resumos de Dom Casmurro para os vestibulandos, vou deixar aqui em resuminho dos principais pontos do programa (ou seje: falar da coisa dos grãos).

Tem gente que chama esse projeto de ~comida de verdade~, mas acho isso meio errado. Acesso a alimentação adequada também é uma questão de economia, aí chega um bando de espertão, e condena quem consome industrializados, que em vários lugares do mundo são mais baratos, e fala que aquilo não é “comida”. Sejemos menas.

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Pois que bem, vamos começar com os livros: eu li o It Starts With Food que é mais ~~~técnico~~~, ele explica direitinho as questãs que umas lindas deixaram nos comentários do outro post: micronutrientes, macronutrientes, o efeito de cada coisa, a justificativa de cada sim e de cada não. O 30 Dias Para Mudar é mais resumido, cheio de fotos e vai direto ao ponto. Dá pra entender a pegada dele nesse link da Amazon, que disponibiliza o livro quase que todinho pra visualização (só não libera as receitas).

Outra coisa que cabe dizer é que não sigo 100% do livro a risca, porque acho que pode caminhar muito rápido pra paranoia. Por exemplo, eles falam que se você consumiu algum dos alimentos proibidos por acidente, coisa de um colher de sobremesa de tempero num prato no 20º dia, tem que começar tudo do zero. A não ser que você cozinhe 100% das suas refeições em casa, é impossível ter esse tipo de controle. Mesmo que nesses 30 dias eu acabe evitando o kilão e levando marmita pra firma (economizo horrores, é maravilhoso ver o saldo do VR no final), vai ter um dia em que eu vou comer lá e não vou saber todos os ingredientes de cada refeição. Se eu fosse pro extremo, essa proposta ia me estressar ainda mais e o que eu quero com esse programa todo é ter a famosa PAZ.

Mesmo nesse meu rítmo, senti muitas mudanças sim, não consigo pensar em (ou pelo menos não li sobre) nenhum benefício que seja tão significativo que justifique esse cuidado extremo.

Dito isso, segue anexo as grande lista dos alimentos polêmicos.

Não pode açúcar (nem adoçante!)

Os açúcares (pode ser o branco, o marrom, orgânico, mel)  são aquelas calorias vazias: não tem vitaminas ou minerais, apenas calorias. O consumo excessivo dele também causa desregulação no metabolismo e nos hormônios. Mas a questão principal é a forma como ele atua no cérebro, criando uma reação psicológica nada saudável. Nenhum outro alimento na natureza provoca uma sensação de prazer tão intensa quanto o açúcar, assim a gente tende a querer consumir cada vez mais pra atingir aquela pico anterior. Os adoçantes atuam no cérebro da mesma maneira que o açúcar, mas são muito mais potentes.

Não pode álcool (nem pra cozinhar)

Pra começo de conversa  álcool é a porta de entrada para drogas mais pesadas como o açúcar (ninguém que tá alegrinho vai ler rótulo nutricional, né mores?), além disso são (muitas) calorias vazias e seu consumo dificulta um pouco o controle dos níveis de glicose.

Não pode leite, queijo, iogurte e outros derivados

Eles se baseiam em toda a teoria de que o leite de vaca foi feito pra um bezerro crescer absurdamente rápido pra poder tocar A Vida™ e assim, não tem como os mesmos nutrientes servirem para um humano adulto. Eles dão toda a explicação de como a proteína do leite impacta no sistema imunológico, causa inflamações no intestino e desequilíbrio hormonal.

Mas e o cááálcio?” ele está presente em uma dezena de outros alimentos em quantidade equivalente ou maior que o leite.

Por fim, a proposta do programa é suspender os alimentos por 30 dias e depois reintroduzi-los gradativamente pra entender o efeito deles no organismo. No caso dos leite (& derivados), pode ajudar a galera que é intolerante e não sabe.

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Não pode grãos e leguminosas

A estrutura dos grãos se divide em 3 partes: a casca (onde estão todas as fibras e vitaminas – parte que é removida no refinamento), o germem (material reprodutor da planta – também costuma ser removido no refinamento) e o endosperma (os nutrientes que o grão vai usar para germinar e virar uma planta – ou seje: calorias).

Então sim, grãos tem fibras, minerais e proteínas, mas na maioria dos casos esses nutrientes são removidos no refinamento e mesmo no caso dos integrais (quando as partes ~boas~não são retiradas) a quantidade desses nutrientes não é tão considerável quanto a gente pensa. Em fibras, duas colheres de sopa de aveia são equivalentes a uma maçã ou a 150g de couve flor (só que essas últimas tem uma infinidade de outros nutrientes que os grãos não tem e em menos calorias).

No caso específico da soja eles pedem pra redobrar a atenção, porque ela contém hormônios muito similares ao hormônio feminino e seus efeitos no desiquilíbrio hormonal ainda são #polêmicos.

Como nos grãos temos toda a questão do glútem, assim como no caso dos laticínios, suspender e reintroduzir esses alimentos ajuda as pessoas que são celíacas e não sabem.

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Juntando tudo

Eles ainda falam muito detalhadamente sobre doenças autoimunes e diversos tipos de inflamação (em especial no intestino, eles amam falar de inflamação no intestino e como isso afeta a sua disposição) que o consumo de alguns alimentos pode causar, mas aí já fica muito Treta de resumir.

“Ah, mas se você fizesse uma reeducação alimentaaaar…”

Já falei nesse post como se alimentar (uma coisa que deveria ser ridícula de simples) se tornou algo difícil e complexo. Na teoria todos sabemos a forma “correta” de comer, mas achar que tudo se resolve nas frases “é uma questão de reeducação alimentar” e “é só comer com equilíbrio” é viver num mundo de fantasia.

Quando a gente fala de um programa como o Whole 30 (“noooossa, super radical”) sempre tem a sugestão da reeducação alimentar, como se ninguém nunca tivesse tentado, como se não existissem distúrbios alimentares e como se comida, pra uma quantidade enorme de pessoas, não fosse um conforto, uma válvula de escape. Mais da metade do planeta está acima do peso (dados da OMS), mas só os floquinhos de neve especial que pensaram “nossa, decidi, vou fazer uma reeducação alimentar!”

Já tentei nutricionistas quatro vezes, mas quando a relação com a comida é toda emocional e as diferenças demoram horrores pra aparecer (não estou falando de peso, mas daquela adaptação insuportável), a frustração é imensa. O Whole 30 é um mês pesado? Sim, é, mas você sente a coisa mudando em um rítmo que te anima, é real. É um esforço maior no começo, mas depois que você quebra certas barreiras e hábitos, aquelas vontades desesperadoras somem completamente e você sente o controle de novo. Já tentei reeducação alimentar por períodos muito maiores que 30 dias e só me sentia pressionada. Funciona pra algumas pessoas? Funciona, mas não é pra todo mundo.

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Por fim

O Whole 30 pode parecer exagerado (e algumas coisas de fato são), mas as diferenças são nítidas e pra mim foi uma experiência muito positiva. Como sempre, dúvidas, questões, e angústias, só deixas aí nos comentários. <3