Esse perfil não conta calorias e esse perfil sonha em conquistar o título de maior somelier de Kit Kats da galáxia. Isso aqui não é blog fitness e JAMAIS condena o consumo de qualquer porcaria alimentícia (inclusive, me chamem!). O Whole 30 foi uma coisa que eu fiz em janeiro do ano passado, porque estava com sérios problemas de disposição e ansiedade, e que me ajudou (muito!). Estou fazendo novamente e vou dividir as histórias, caso isso ajude outras pessoas.

O que é o Whole 30?

O jeito fácil de você resumir o Whole30 pra justificar o seu prato diferente na mesa do almoço de domingo é: uma espécie de dieta em que você fica 30 dias sem comer nada industrializado. Se vende dentro de saquinho, latinha, caixinha: provavelmente, não pode.

Whole 30

Whole 30

Whole 30

O jeito certo seria dizer que é um plano alimentar, detalhadamente descrito no livro “It Starts With Food” (e no 30 Dias Para Mudar), que se baseia na idéia de: existem alimentos que te fazem bem (te deixam mais saudável) e alimentos que te fazem mal (te deixam menos saudável). Não existem alimentos neutros. Não existe meio termo. Dentro do critério de te fazer bem, também é preciso ter uma justificativa nutricional para o consumo.

Parece complicado, mas não é.

E ninguém espera (ou aconselha!) que você consuma apenas esses alimentos para o resto da vida.

O Livro

O It Starts with Food é muito didático e se divide em capítulos mais teóricos e uma parte mais prática. As passagens que descrevem como cada componente alimentar atua no corpo conseguem não ser cansativas e fluem muito bem, mesmo em inglês. Mas se esse não for o foco do seu interesse, os próprios autores permitem que você pule esses capítulos (sem prejudicar o restante da leitura).

Assim como outros livros do gênero, ele tem sim os pequenos depoimentos e promessas de mudanças de vida maravilhosas, mas fica bem dentro do suportável, não chega a irritar. Meu único problema com esses relatos é quando apontam um controle total da diabetes apenas com a alimentação (diabetes é uma coisa séria e precisa de acompanhamento médico!).

Não vi o 30 Dias para Mudar de perto ainda, mas ele parece ser a versão ilustrada e mais direta do outro.

Os Critérios

Cada tipo de alimento é analisado com base em quatro critérios, não pode: ser psicologicamente não saudável, inflamatório, de difícil digestão ou capaz de causar mudanças hormonais.

O que pode e o que não pode

Não  ‘pode’:

  • Açúcar processado e adoçante
  • Álcool
  • Grãos e leguminosas (especialmente soja e derivados)
  • Derivados do leite

Pode:

Existe uma lista detalhada aqui, mas pra facilitar a minha vida, limitei tudo para: carnes, ovos, legumes, chás e frutas (em menor quantidade). Outro truque pra tornas as coisas mais fáceis é ler o rótulo e não consumir se tiver algum elemento que você não usaria pra brincar de forca (ex: conservador ácido sórbico, sequestrante EDTA cálcio dissódico).

Whole 30

E depois dos 30 dias?

Passados esses 30 dias de alimentos ~~~~permitidos~~~, você pode reintroduzir os outros gradativamente e ver como seu organismo reage a cada um deles. Essa é também uma forma de identificar se aquele problema de saúde que nunca vai embora não é efeito da alimentação. Ninguém propõe que você faça isso pra sempre, mas que com a experiência desse período, possa fazer escolhas mais adequadas PRA VOCÊ.

(ninguém falou em fitness, ninguém falou em geração saúde, ninguém falou em queijo branco no pão integral – eles, inclusive, estão fora do Whole30 – mas sim em comer o que faz você se _sentir_ bem. SENTIR é a chave de tudo aqui)

Como foi pra mim

Eu tenho problemas graves com ansiedade e alimentação desde os 11 anos. Fui ensinada em casa que o CERTO era usar calça 36 e roupa P. Eu ganhava calças 36 (38 estourando) e deitava na cama pra fechar porque esse era o CERTO. Tomei remédios para emagrecer ao 13 anos (um que hoje é proibido por causar taquicardia). A hora de comer era um sofrimento porque era uma coisa errada. Então, minha relação com comida sempre foi péssima. Desde então, em qualquer situação de stress eu: como.

O fato de estar de dieta me causa um incômodo sem fim, porque o stress de saber que não posso comer, me faz comer mais. Com doces a situação costuma ser pior (o que o livro chama de ~craving~).

As primeiras semanas de Whole 30 não foram fáceis (foi exatamente como a Melissa Hartwig disse que seria). Mas depois do décimo quarto dia, parece que deu um estalo mágico e: eu me sentia bem. Minha vontade de doce caiu pra zero, minha concentração nunca esteve tão boa, eu dormia menos horas e ainda assim acordava super disposta, saia com amigos para um bar, não sentia vontade nenhuma de beber (!!!) e virava a noite (quando meu normal é desmaiar de sono e rabugentisse as 22hrs em ponto). Eu tinha energia e bom humor (e meu cabelo e pele estavam ótimos!).

Sobre a perda de peso (a pergunta que não quer calar)

Perdi 7kg (e desinchei horrores).

Mesmo depois de reintroduzir outros alimentos, ainda me senti bem disposta e não engordei (perdi mais 3kg na verdade). Voltei a engordar em junho (terminei o Whole30 no Carnaval), porque foi uma fase de esperar muitas respostas de muitas pessoas sobre coisas muito importantes e eu estava ansiosíssima.

Quando ganhei peso, os Fiscais de Dieta™ não demoraram nada para dizer que ~tá vendo, nada radical funciona~, mas eu não vejo a coisa desse jeito. Nunca pensei que um programa de 30 dias fosse resolver todos os meus problemas de quase duas décadas, mas foi, de longe, uma das coisas que mais me deu resultado, principalmente porque não foi uma coisa só de perder peso, mas de me SENTIR EM PAZ.

Vou refazer o Whole 30 e a idéia é colocar posts semanais aqui, caso isso possa ajudar, motivar ou informar alguém. 😉

Whole 30

Whole 30

Whole 30

Whole 30

Outras fontes

A Mari fotografou todos os pratos do projeto que ela fez com o namorado e é tudo abusado de lindo (é cada louça, é cada prato, é cada arrumação!), vale muito a visita. Eu já tinha ouvido falar várias vezes do Whole 30 (inclusive no ABM), mas o empurrão dela foi definitivo pra começar.

E aí, vamos?

As fotos do post são de uma saída fotográfica no Mercadão de Pinheiros.