Esse mês a Netflix lançou um documentário sobre a Amanda Knox (ótimo, pode assistir sim) e dominamos a timeline falando dele, como os pequenos problematizadores, debatedores, conversadores (e fofoqueiros) que somos. A repercussão (na -minha- timeline), foi bem parecida com a de “Making a Murderer” (ótima, pode assistir sim). E aproveitando o assunto, nesse hall de crimes com julgamentos caóticos,  sempre fui bem inconformadinha com a pouca atenção que demos aos três meninos do Memphis.

Esbarrei pela primeira vez com a história dos três lá em 2013, através de um documentário que me DESTRUIU.

  • Damien Echols foi acusado (e preso)(e condenado a pena de morte) porque ele era estranho (quem nunca?).
  • Em uma cidade religiosa do interior, ele foi de rockeiro wicca para satanista e assassino.
  • O parecer de um padre foi levado em consideração no tribunal (!!!).
  • Suas camisetas pretas (uma do Metallica) eram um claro sinal de que havia algo errado (!!!).
  • Jason Baldwin foi arrastado pra confusão porque era um conhecido de Damien.
  • Jessie Misskelley tinha uma deficiência mental e foi usado para obter uma falsa confissão.

Foi uma zona.

O caso se estendeu por quase 20 anos e acho que de todos que citei acima, é o que mais teve uma comoção popular. Porque todo mundo corre o risco de achar que poderia ter sofrido o mesmo que os meninos do Memphis. Todo mundo se sente um pouco deslocado e diferente e julgado. E mesmo sendo exagero achar, do alto do nossos privilégios, que poderia ter sido a gente, tem uma parte que sempre se identifica. E isso torna a coisa toda ainda mais surreal: os gostos do Damien chamaram a atenção pra ele, entre tantos outros garotos.

Na época do boom do Making a Muderer, até li uns posts recomendando “West of Memphis“, documentário sobre o caso, mas eu acho esse filme em específico bem ruim e talvez parte do motivo da minha timeline não ter se enchido de #debates como no caso dos outros julgamentos.

(“Mas, Nicas, é do Peter Jackson!” – É sim, e ele manja muito de Senhor dos Anéis mesmo, parabéns pra ele, faz um documentário sobre o Gollun, vai ser massa)

Pessoalmente, prefiro esse material aqui:

Paradise Lost -A Trilogia

Trilogia Paradise Lost

Três documentários da HBO, filmados (e lançados) ao longo de todo o processo. Foi o primeiro Paradise Lost que tornou o caso conhecido, atraiu a atenção de músicos, como Metallica e Eddie Vader (<3), e deu origem a toda uma rede de apoio que permitiu, entre outras coisas, custear a defesa dos três.

 Paradise Lost

Filme Devil’s Knot

Filme baseado no caso (filme mesmo, não documentário), tem a Reese Witherspoon e tinha tudo para ser incrível, mas o roteiro não faz o menor sentido. Os atores ficaram muito parecidos fisicamente com as pessoas reais, mas até isso ficou com cara de imitação e não atuação. Na verdade só vale de curiosidade mesmo.

Livro Vida após a Morte <3

Biografia do Damien, é excelente! A lucidez dele durante décadas no corredor da morte (!!!) já o torna uma pessoa melhor que todos nós. Ele conta o que fez para não enlouquecer e como foi passar toda a sua vida adulta atrás das grades (e sem saber se sairia um dia)(já falei dela aqui).

Livro Yours to Eternity

São as cartas de Damien e sua esposa Lorri (que ele conheceu e com quem ele se casou ainda preso) durante todo o tempo em que eles namoraram atrás das grades.

Este perfil adora documentários e aceita sugestões. 🙂