Setembro tem desafio fotográfico semanal no nosso grupo de apoio, VEM!

Quando esse tema surgiu no SOTMB (o grupo mais cheio de amor do mundo), me bateu um peso bem grande e reflexivo de “Qual é o meu lugar preferido?”. Passou logo, porque eu tinha mala para arrumar e areia de gato pra trocar, mas mesmo assim, ele existiu.

Eu reassisti Mensagem para Você esses dias (um dos melhores filmes já feitos, Meg te amo, vamos ser migas, me tweeta!) e fiquei lembrando o quando aquela foi a minha vida dos sonhos por muitos e muitos anos. E percebi o quanto eu sou sortuda de ter adaptado essa rotina e essa vida pra mim: eu vivo a cidade como sempre quis viver. Volto a pé do metrô até em casa depois do trabalho (um sonho de muitos anos),  tenho meus cafés preferidos a uma caminhada de distância e sinto um conforto indescritível por existir no centro, porque we are all mad here.

No centro somos fãs de coretos (e fazemos campanha pra salvar o da Praça da República), de prédios antigos, da arquitetura da cidade e de lugares que pararam no tempo, na época em que as coisas eram corretas (aka tinha pão de calabresa fresquinho no horário marcado) (essa maravilha fica ali na 13 de maio). Chamamos o Elevado de Parque Minhocão porque isso é o certo e nos orgulhamos dos nossos PFs. A luz aqui é mais bonita.

Me encontro frequentemente com amigos de vários locais do Centro (e o Centro, ele é grande demais) e com amigos que não moram aqui, mas sentem pelo local o amor reservado a um lar. Formamos todos um grupo de vizinhos excêntricos.

Mais que um endereço, o centro é um estado de espírito.

Nem sempre é fácil viver aqui. Mas não acho que seja tão mais difícil que eu outros lugares. O maior problema é que as pessoas ainda acham que por o centro ser um conhecido local público, a sua vida e a sua casa também são. Ouvimos opiniões que não foram solicitadas, julgamentos jamais autorizados e nos negam convites de jantar com “não vou te visitar a noite porque é perigoso”. Nunca ouvi esses disparates morando em outros lugares (muito mais perigosos que o centro), mas aqui parece que a gente vira patrimônio público (como muitos dos nossos prédios) e há boatos de que devemos satisfação.

Já ouvi que no Centro tem pulgas, prostitutas e mendigos por toda a parte. Não só não neguei como disse que também temos percevejos, que é pra manter gente preconceituosa longe mesmo. Se falam que não vem visitar porque a noite aqui é perigosa, conto que ontem mesmo decaptaram sete pessoas na saída do Terminal Bandeira. Amamos o centro (iremos protegê-lo) e queremos nele só para pessoas maravilhosas.

Esse é o meu lugar preferido no mundo e, depois de um dia de modernos e retos prédios no Itaim Bibi, voltar para as curvas e janelas enfeitadérrimas daqui no fim do dia é sempre um abraço.

Meu Lugar Preferido

Meu Lugar Preferido

Centro de São Paulo

Meu Lugar Preferido

Meu Lugar Preferido

Meu Lugar Preferido

 Essas fotos foram feitas em 2011 (!), na Jornada fotográfica nas alturas.