O Whole 30 (ou comida de verdade) é uma dieta ou estilo de vida ou filosofia onde você reduz drasticamente o consumo de industrializados, começando com 30 dias de total e completo veto a alimentos processados (basicamente, se vende dentro de um saquinho, latinha, caixinha: não pode). Fiz em janeiro, me fez super bem e pretendo falar mais disso em breve (quero refazer em setembro).

Whole 30 - Comida de VerdadeMercado Municipal de Pinheiros – Abril/16

Já estava no quarto dia do processo quando vi uma foto de alguém fazendo chá com folhas de verdade (fresquinhas!) e fiquei bem maravilhadinha “noooossa, que legal, que alternatiiivo”. Aí chutei minha própria bunda, pois: passei a infância tomando esse mesmo chá, com essas mesmas folhas, tudo colhido no jardim da minha avó (era uma planta enorme e acontece que também era o ponto preferido do doberman da minha prima fazer xixi).

Se a finada Vó Conça, visse a gente aqui na internet fazendo uns estardalhaço sobre como somos diferentões e heróis de comermos ~ comida de verdade ~, ela ia falar que isso não é falta de nutriente e sim falta de surra. Dona Conceição era uma orgulhosa dona da coleção “Plantas que Curam” (que, se não engano, ela comprou de um moço que vendia de porta em porta, bons tempos) e conhecia um chá pra tudo que era coisa (o preferido era boldo, que eu nunca tomei, por mais doente que estivesse).

E ela teria um ponto, mas a gente também tem.

A gente ama viver no futuro e assistir MasterChef juntos cada um na sua casa via Twitter, comprar um livro na Amazon e receber ele no Kindle no segundo seguinte e poder passar um ano inteiro frequentando o banco apenas pela Internet, mas o futuro transformou coisas básicas (comer!!!) em verdadeiros desafios.

Eu achava que a parte mais difícil do Whole30 seria resistir a vontade de açúcar (que sim, vicia) e que teria uma logística envolvida nisso, mas não imaginei que comprar comida fosse uma coisa tão não-natural. Pra comprar legumes, não é só ir no mercadinho. O tomate do mercadinho (de oito reaaaaaais!), coitado, ele tá arrasado, mais abatido que eu. A cebola já apanhou mais que o Seu Madruga (quando tem) e o hortelã já vem semi-morto, zumbi, The Walking Dead dos chás.

Pra não desanimar ninguém, depois que você pega o jeito, é bem fácil. Eu descobri que ainda existe sacolão (gente, eu faço compras no sacolão, a terceira idade, ela é maravilhosa, venham!) e que ele tem horários possíveis. Ainda não consegui migrar para os orgânicos, mais pela questão do preço, mas é uma idéia.

Outra coisa que arrancaria gargalhadas da vó, é que eu achava que temperar comida sem nada industrializado seria um verdadeiro desafio! Eu nunca tinha feito qualquer coisa sem sazon ou caldo kinor ou aqueles novos saquinhos de tempero pra assar frango e carne. E aí na primeira semana eu já estava me sentindo muito adulta colocando uma folha de louro (!!!) pra cozinhar os legumes da sopa, colocando manjericão (<3), cebola, tomate.

Ainda reduzi drasticamente o sal com isso.

Whole 30 - Comida de VerdadeMercado Municipal de Pinheiros – Abril/16

A cozinha ainda não é simples e natural como a da minha avó, o espaço do frigobar é limitado e cozinhar só pra um tem sim seus desafios (se bobear tudo estraga, tudo). Tem que ter truque de Pinterest sim, tem que bater o hortelã com água pra conservar e ir consumindo a semana inteira e tem segunda-feira que essa casa vira uma fábrica de marmita pra semana toda, mas a gente chega lá. Nunca pensei, por exemplo, que ia gostar de chegar em casa e fazer uma sopa fresquinha (com uma folha de louro), em vez de só esquentar uma congelada. É, a gente chega lá.

BEDA 2016