Assim como aconteceu com os piercings, ser a pessoa tatuada não é uma coisa que lembro de ter nascido comigo, não fui daquelas adolescentes que contou os dias pra fazer 18 anos e se encher de rabiscos e furos. Mas alguma coisa aconteceu no meio do caminho (provavelmente o Tumblr ou a USP frustrando todos os meus desejos e sonhos) e em algum momento eu decidi que queria ser diferente, no sentido gente do tumblr diferente. Fiz a minha primeira tatuagem em julho do ano passado.

O Zumba, um sujeito maravilhoso que cuida dos meus piercings (e do meu mais íntimo ser), fala que pra ele tatuagens ainda são uma forma de contracultura, e nas nossas conversas acabei puxando um pouco disso pra mim, me tatuar se tornou uma forma de dizer que mesmo vestindo roupa social das 9 às 18hrs, aquilo não me define.

Assim, o significado da coisa sempre esteve em ter muitas tatuagens e não uma grande interpretação filosófica de um desenho em si. Coisas pequenas nunca foram uma opção pra mim.

Eu já pesquisava desenhos há um tempo, sem nunca ter visto nada que me agradou. Mas coisas acontecem e esbarrei num desenho lindo da Elissa. Tudo fez sentido. A história dela é legal pra caramba (é uma coisa que considero, já que vou carregar o trabalho do sujeito por aí), o trabalho dela é único, é muito sério (ela estudou desenho botânico, ela sabe cada estrutura da planta, não é no olho) e, puta que pariu, como é lindo.

Esse encontro mudou muito a forma como me preparo para as próximas (muitas) tatuagens, agora eu acho a pessoa e encaixo ela em mim, sem partir do desenho. Meu nível de confiança na Elissa foi de uma forma que quando me perguntavam algum detalhe da tatuagem, eu respondia que não sabia, porque não sabia mesmo, ela me mostrou um rascunho, começamos e eu sabia que ia ficar bom.

Aparentemente, num post de tatuagem a gente tem que falar sobre dor. Parece que é isso que as pessoas fazem e quem sou eu pra quebrar o protocolo: doeu, mas foi mais um ardido, um incômodo. Dividimos em duas sessões não muito pela dor, mas porque a pele ficou muito sensível, num nível que já estava incômodo demais ela encostar a mão pra apoiar e continuar (não senti uma diferença considerável de dor entre as regiões da coxa).

Cicatrizou super bem, só com nebacetin e hidratante Nívea (o da latinha azul), foram dois dias de plástico e o resto só alegria.

Tatuagem - Elissa Rocabado

Tatuagem - Elissa RocabadoAs fotos são da (maravilhosa) Rhariane Shibuya

Velhinha, com as flores da caveira já murchas, vou lembrar que três migas saíram de casa (em dia de MasterChef!!1!!1) e me acompanharam na Augusta para eu me tatuar ao som de Beatles. <3

A flor é essa aqui, o símbolo de Hong Kong. <3

BEDA 2016