kindle

Esse post começou com outro post, que foi publicado em outro endereço e se perdeu com todos os meus outros arquivos (superei isso? sim. superei o Google Reader? jamais.). Acontece que na época eu tinha configurado o Facebook pra puxar todos os posts do blog (aquilo era uma terra de blogueiras, livre de familiares, colegas de trabalho e intimidade forçada), quando lembrei disso, achei que o BEDA era uma oportunidade pra prosseguir de onde paramos.

O post era esse (pelo amor de deus faz cinco anos, mentalize que todo mundo evoluiu de 2011 pra cá – lembrando que 2011 foi o ano em que você ouvia A Banda Mais Bonita da Cidade no repeat):

Quem estava no twitter na terça-feira a noite me viu twitando completamente abobada sobre “um cara do metrô que estava com um Kindle” e eu fiquei devendo o final da história para vocês.

Mas primeiro vamos colocar um começo mais explicadinho. Eu tinha tido um dia do cão e decidi aproveitar a noite para ir lá para a Biblioteca de São Paulo pegar algumas coisas para ler e deixar as minhas viagens de metrô menos tristinhas (é gente, todo mundo sabe que eu ando na merda esses tempos). Estava tão emo que recusei a carona do amigo da firrrma para ir sozinha pensando com meu botões (E olha! Até tenho botões na camisa social. Assaz!). Chegando na Ana Rosa entrei no trem e fui lá para o meio do vagão – você, que não vai descer mas fica na região das portas: te odeio!. Estava super distraída ouvindo Velvet Revolver quando, ao olhar por lado, vejo uma cena meio estranha – e aqui vocês vão me achar mais caipira do que nunca.

Tinha um sujeito segurando um trambolho parecido com um Kindle (e que até então eu só conhecia pela Amazon), mas no lugar onde deveria ter uma tela tinha, a meu ver, uma folha de papel, desse fotográficos opacos, manja? Achei (ai meu deus, olha o raciocínio da pessoa!!!) que ele estava com alguma propaganda, alguma campanha de mkt do que seria o Kindle. Maaas, ele apertou um botão, as letras se dissolveram e surgiram outras no lugar! E foi assim, meus amigos, que eu descobri o porque do Kindle ser a novidade do século. Porque ele realmente parece feito de papel!

Meus olhos arregalaram desse jeito aí da foto e eu rapidamente saquei o celular e twittei (e é aqui que vocês entram, meus amores!). Acontece, que nessa minha reação altamente exagerada, “o cara” não só percebeu minha surpresa com o brinquedo, como leu o twit por cima dos meus ombros. E, quando olhei de lado de novo (juro que não pude resistir), ele perguntou se eu não queria ver.

Em uma palavra? Fofo.

E eu vi, encostei (não é touch screen, mas ele também concordou que com aquele efeito é “impossível não tocar na tela“) e devolvi rapidinho, roxa de vergonha. Mas aí, minha gente, ele foi ainda mais fofo e educado e me mostrou todas as funcionalidade do brinquedo (que, como já disse, é o máximo). Depois disso ele ficou só com um fone no ouvido e, passadas algumas estações, eu tirei os meus também. Estava bem acessível para uma possível conversa, mas a timidez e o bom senso não me deixaram abusar ainda mais da educação dele, que devia estar querendo só ler e ouvir música na volta do trabalho.

Ele estava lendo Sherlock Holmes e desceu depois do Carandiru (estação da biblioteca, onde eu desci). E era bem bonito. E, não, eu não pedi um e-mail, telefone ou twitter. Deu tchauzinho quando desci e nós nunca mais nos veremos de novo.

Mas talvez tenha sido mais bonitinho assim. Posso dizer que ele alegrou muito uma noite que estava precisando mesmo ser alegrada. E sou muito grata por isso.

Não tinha pensado em contar essa história aqui até ver uns posts da Rê Biscoito, suas aventuras com desconhecidos e seus amores de metrô. Além do mais, quero lembrar desse dia e acreditar que as pessoas podem ser melhores umas com as outras.

E o que aconteceu depois do post? Senta que #evem.

X dias depois do post, fui limpar a caixa de spams do blog e: tinha um comentário.

Era o Moço do Kindle™. Que depois de ler a tuitada por cima do meu ombro (quem nunca?), me procurou e caiu no blog (onde eu estava falando justamente dele).

Em um primeiro momento, meus onze anos de bullying diário na escola (e alguns clássicos da Sessão da Tarde) me fizeram acreditar que, né, pegadinha. E de fato respondi isso pro moço (porém com toda uma dose de educação).

E ele respondeu.

E me confirmou coisas que só nós dois saberíamos, tal qual dois espiões detentores de um cumprimento secreto. Falou onde eu estava sentada no vagão, como estavam meus fones de ouvido e mais umas outras coisas. Se era pegadinha era muito bem elaborada e eu já estava com a consciência tranquila por não ter caído de primeira.

E a gente começou a conversar. O moço não usava um e-mail de verdade e nem nome de verdade. Coisa por cuja qual dei graças a deus, porque não queria proximidades ou cair na arapuca do stalking. Foram bons emails em uma época em que eu andava bem descaralhada da cabeça. Ele me ensinou muita coisa sobre o Kindle (conhecimento que passei para vocês em outro post que sumiu) e, como ele também estava começando a trabalhar na mesma área que eu, conversamos sobre aquele mundo estranho do TI (com cujo qual nem lido mais).

Foram uns quatro anos trocando emails, que foram ficando cada vez mais espaçados até 2014, quando ele me chamou pra tomar um café, com uma história de que “a namorada dele estava fora da cidade”. Me soou como uma coisa muito desonesta e o cúmulo do mau caratismo, mas em nome desses bons anos, eu apenas recursei com educação.

(esse perfil não faz apologia à mentiras)

Desde então nunca mais me respondeu.

Mas foram bons tempos. Conversas divertidas e importantíssimas pra mim (contei que estava muito descaralhada da cabeça?). Hoje em dia sei que não teria levado a brincadeira adiante, porque ele já tinha comentado algo sobre gerenciar ciúme da namorada, e agora me sinto muito desleal (um lixo de pessoa) com ela por não ter cortado isso na hora. Mas foi uma bela história (que e agora vocês sabem inteira 😀).

 

BEDA 2016