Expliquei o onde, o como, o quando e o porque dessa coisa toda de andar aqui e todos os posts sobre o assunto você encontra aqui.

It´s all fun and games até você fazer os seus primeiros 30km seguidos. No nosso último capítulo, contei da Dona Cidinha, e aqui começamos o dia com mais carinho da parte dela: 6 (eu disse SEIS) tipos de pão no café da manhã (mais café, leite, chá e achocolatado).

Toddy ou Nescau no café da manhã é uma das escolhas mais pessoais da vida do ser humano, já que trata-se de um horário em que você está bastante sensível e ainda não totalmente desperto para lidar com os males da humanidade. Mas quando a gente é visita, precisa abrir mão de certas bandeiras. E é nessas horas que a gente vê o nível de comprometimento de uma pessoa para com o conforto do próximo: Dona Cidinha disponibiliza as duas marcas para o desjejum do peregrino.

Que mulher, que acontecimento.

Saímos as sete (o plano era sair às seis, mas aconteceram pães).

Aqui já começam os trechos de ficar bem no meio do mato e passar horas (e kilometros) sem ver ninguém. As dez da manhã, já tínhamos feito 14 km até a pousada da Dona Cida (em São Roque da Fartura).

(favor não estar confundindo as Cidas!)

É importante saber que o Caminho passa no meio do mato mesmo, então as pousadas não são só pra dormir, mas também importantes pontos de apoio entre trechos longos (o próximo ponto por exemplo, fica a 16 km dali, no meio não tem nada e não dá pra ficar carregando comida). Além disso, nas pousadas você recolhe carimbos (eu era o próprio Mutley atrás de medalhas) e recebe amor. Na Dona Cida ele veio em forma de café, bolo e uma gostosa conversa sobre seu Getúlio, o moço que desenhou os quadros dos pais e avós dela, que enfeitam a sala. <3

Se fizemos 14 km em 3 horas de manhã, fizemos 16 em quase 5 horas a tarde. E isso foi uma coisa que eu reparei todos os dias, o rendimento cai bastante quando o sol esquenta (isso porque a gente não parava, passamos só 20 minutos na Dona Cida e o resto foi andando o tempo todo). Esse segundo trecho também tinha uma descida super pesada, tudo o que a gente subiu de forma leve, precisou ser descido de uma vez só.

A gente acha que subir é cansativo (e é), mas descer é de matar. A velocidade diminui muito e seu joelho tem crises existenciais sobre sua verdadeira função e capacidade, tudo isso enquanto as coxas tem tremeliques de Charlie Brown. Aqui eu entendi a importância do cajado de apoio. Fez toda a diferença e com certeza me poupou muitos tombos.

Mais para o meio da tarde chegamos nos trechos que só permitem acesso a pé ou de bicicleta, que são os mais legais. Passamos por montanhas super altas (é, é um sobe e desce constante sim) em paisagens que eu nunca nem sonhei ver, passamos no meio de pastos enormes, uma plantação de café maravilhosa, e visitamos um orquidário (graças a uma dona muito simpática).

Chegamos em Àguas da Prata por volta das 16h30, aqui não ficamos na casa de ninguém, mas na sede da instituição que cuida do Caminho da Fé, onde retirei minha credencial de peregrina (pra colar os carimbos anteriores) e comprei meu cajado (que é um bambu com uma fitinha de Nossinhora). Foram 30km.

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Caminho da Fé

Todos falavam que a gente tem grandes revelações quando faz um caminho desses. No fim desse dia, tive certeza que a minha revelação é que, meu deus, como eu amo tirar foto de vaca.

Dúvidas? Questões? Agonias? Questionamentos? Me pergunta nos comentários que esse é o meu assunto favorito acho que pro resto da vida!

 

BEDA 2016