Lifestyle

Whole 30 – o que, quando, como e porque

11 de janeiro de 2017

Esse perfil não conta calorias e esse perfil sonha em conquistar o título de maior somelier de Kit Kats da galáxia. Isso aqui não é blog fitness e JAMAIS condena o consumo de qualquer porcaria alimentícia (inclusive, me chamem!). O Whole 30 foi uma coisa que eu fiz em janeiro do ano passado, porque estava com sérios problemas de disposição e ansiedade, e que me ajudou (muito!). Estou fazendo novamente e vou dividir as histórias, caso isso ajude outras pessoas.

O que é o Whole 30?

O jeito fácil de você resumir o Whole30 pra justificar o seu prato diferente na mesa do almoço de domingo é: uma espécie de dieta em que você fica 30 dias sem comer nada industrializado. Se vende dentro de saquinho, latinha, caixinha: provavelmente, não pode.

Whole 30

Whole 30

Whole 30

O jeito certo seria dizer que é um plano alimentar, detalhadamente descrito no livro “It Starts With Food” (e no 30 Dias Para Mudar), que se baseia na idéia de: existem alimentos que te fazem bem (te deixam mais saudável) e alimentos que te fazem mal (te deixam menos saudável). Não existem alimentos neutros. Não existe meio termo. Dentro do critério de te fazer bem, também é preciso ter uma justificativa nutricional para o consumo.

Parece complicado, mas não é.

E ninguém espera (ou aconselha!) que você consuma apenas esses alimentos para o resto da vida.

O Livro

O It Starts with Food é muito didático e se divide em capítulos mais teóricos e uma parte mais prática. As passagens que descrevem como cada componente alimentar atua no corpo conseguem não ser cansativas e fluem muito bem, mesmo em inglês. Mas se esse não for o foco do seu interesse, os próprios autores permitem que você pule esses capítulos (sem prejudicar o restante da leitura).

Assim como outros livros do gênero, ele tem sim os pequenos depoimentos e promessas de mudanças de vida maravilhosas, mas fica bem dentro do suportável, não chega a irritar. Meu único problema com esses relatos é quando apontam um controle total da diabetes apenas com a alimentação (diabetes é uma coisa séria e precisa de acompanhamento médico!).

Não vi o 30 Dias para Mudar de perto ainda, mas ele parece ser a versão ilustrada e mais direta do outro.

Os Critérios

Cada tipo de alimento é analisado com base em quatro critérios, não pode: ser psicologicamente não saudável, inflamatório, de difícil digestão ou capaz de causar mudanças hormonais.

O que pode e o que não pode

Não  ‘pode’:

  • Açúcar processado e adoçante
  • Álcool
  • Grãos e leguminosas (especialmente soja e derivados)
  • Derivados do leite

Pode:

Existe uma lista detalhada aqui, mas pra facilitar a minha vida, limitei tudo para: carnes, ovos, legumes, chás e frutas (em menor quantidade). Outro truque pra tornas as coisas mais fáceis é ler o rótulo e não consumir se tiver algum elemento que você não usaria pra brincar de forca (ex: conservador ácido sórbico, sequestrante EDTA cálcio dissódico).

Whole 30

E depois dos 30 dias?

Passados esses 30 dias de alimentos ~~~~permitidos~~~, você pode reintroduzir os outros gradativamente e ver como seu organismo reage a cada um deles. Essa é também uma forma de identificar se aquele problema de saúde que nunca vai embora não é efeito da alimentação. Ninguém propõe que você faça isso pra sempre, mas que com a experiência desse período, possa fazer escolhas mais adequadas PRA VOCÊ.

(ninguém falou em fitness, ninguém falou em geração saúde, ninguém falou em queijo branco no pão integral – eles, inclusive, estão fora do Whole30 – mas sim em comer o que faz você se _sentir_ bem. SENTIR é a chave de tudo aqui)

Como foi pra mim

Eu tenho problemas graves com ansiedade e alimentação desde os 11 anos. Fui ensinada em casa que o CERTO era usar calça 36 e roupa P. Eu ganhava calças 36 (38 estourando) e deitava na cama pra fechar porque esse era o CERTO. Tomei remédios para emagrecer ao 13 anos (um que hoje é proibido por causar taquicardia). A hora de comer era um sofrimento porque era uma coisa errada. Então, minha relação com comida sempre foi péssima. Desde então, em qualquer situação de stress eu: como.

O fato de estar de dieta me causa um incômodo sem fim, porque o stress de saber que não posso comer, me faz comer mais. Com doces a situação costuma ser pior (o que o livro chama de ~craving~).

As primeiras semanas de Whole 30 não foram fáceis (foi exatamente como a Melissa Hartwig disse que seria). Mas depois do décimo quarto dia, parece que deu um estalo mágico e: eu me sentia bem. Minha vontade de doce caiu pra zero, minha concentração nunca esteve tão boa, eu dormia menos horas e ainda assim acordava super disposta, saia com amigos para um bar, não sentia vontade nenhuma de beber (!!!) e virava a noite (quando meu normal é desmaiar de sono e rabugentisse as 22hrs em ponto). Eu tinha energia e bom humor (e meu cabelo e pele estavam ótimos!).

Sobre a perda de peso (a pergunta que não quer calar)

Perdi 7kg (e desinchei horrores).

Mesmo depois de reintroduzir outros alimentos, ainda me senti bem disposta e não engordei (perdi mais 3kg na verdade). Voltei a engordar em junho (terminei o Whole30 no Carnaval), porque foi uma fase de esperar muitas respostas de muitas pessoas sobre coisas muito importantes e eu estava ansiosíssima.

Quando ganhei peso, os Fiscais de Dieta™ não demoraram nada para dizer que ~tá vendo, nada radical funciona~, mas eu não vejo a coisa desse jeito. Nunca pensei que um programa de 30 dias fosse resolver todos os meus problemas de quase duas décadas, mas foi, de longe, uma das coisas que mais me deu resultado, principalmente porque não foi uma coisa só de perder peso, mas de me SENTIR EM PAZ.

Vou refazer o Whole 30 e a idéia é colocar posts semanais aqui, caso isso possa ajudar, motivar ou informar alguém. 😉

Whole 30

Whole 30

Whole 30

Whole 30

Outras fontes

A Mari fotografou todos os pratos do projeto que ela fez com o namorado e é tudo abusado de lindo (é cada louça, é cada prato, é cada arrumação!), vale muito a visita. Eu já tinha ouvido falar várias vezes do Whole 30 (inclusive no ABM), mas o empurrão dela foi definitivo pra começar.

E aí, vamos?

As fotos do post são de uma saída fotográfica no Mercadão de Pinheiros.

Livros

Retrospectiva Literária 2016

9 de janeiro de 2017

No começo desse ano me desafiei a ler 12 livros. Um grupo no Facebook foi criado para tal feito. O grupo não vingou. Mas eu embalei. Em março já tinha lido 9. E me empolguei achando que podia fechar o ano com 36 (o peão, o peão não pode ganhar confiança). Aí veio Pokemon Go. A leitura desandou. Mas o jogo desandou também. Recuperei e fechei 2016 com 18 livros.

As retrospectivas do Sooo-Contagious sempre foram meus posts de fim de ano preferidos, então peguei emprestada a estrutura usada pela minha amiga Anna Vitória pra este ano em que (emfim!) posso fazer um recapitula também.

Livros Lidos

  1. Joyland – Stephen King
  2. Os Garotos Corvos – Maggie Stiefvater
  3. Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie
  4. A Mágica da Organização – Marie Kondo
  5. Sobre a Escrita – Stephen King
  6. O Homem do Colorado – Stephen King
  7. A Arte de Pedir – Amanda Palmer
  8. Revival – Stephen King
  9. Christine – Stephen King
  10. Sonhos Partidos – M. O. Walsh
  11. Mentirosos – E. Lockhart
  12. Primatas de Park Avenue – Wednesday Martin
  13. Meu Apetite por Destruição – Steven Adler
  14. A Criança Amaldiçoada – JK Rowling e umas pess
  15. Série Pottermore Presents – J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany
  16. Tá Todo Mundo Mal – Jout Jout
  17. Da Minha Terra à Terra – Sebastião Salgado
  18. Steal Like an Artist – Austin Kleon

(Joyland li na última semana de 2015, mas tão maravilho que eu precisava premiar em algum lugar) (tudo isso aqui é atualizado em tempo real lá no Skoob)

Retrospectiva Literária 2016

Melhor Casal

Não li nada cheio de romance esse ano (o que é novidade pra mim). Mas li Christine e Revival, dois livros do Stephen King que tem casais adolescentes. King sabe falar bem sobre demônios e espíritos e até vampiros (o que já vimos que não é tarefa fácil), mas meus livros preferidos são os que ele fala de adolescência. Me lembra muito Anos Incríveis. Me dá um vazio enorme quando o livro acaba. Meu melhor casal de 2016 é Leigh & Dennis, de Christine.

Virei a noite

King disse que Revival era sua obra com final mais sombrio e eu, enquanto fã trouxa, no consegui sossegar o bumbum até terminar. E foi fantástico.

Grifei

Sobre a Escrita, do Stephen King. Aprendi demais? Aprendi demais? Gostei mais porque me senti BFF dele? Gostei mais porque me senti BFF dele.

Retrospectiva Literária 2016

Irrelevante

Tá Todo Mundo Mal é bonitinho e daria um blog médio, mas não só deixou a questã “isso teria sido publicado se não fosse da Jout Jout?“.

 Abandonei

Todo mundo falou tanto de Só Garotos que fui pro livro com expectativas demais. Demais. E aí veio o Robert. E acompanhar os dramas dele todo dia era um martírio. Parei.

Leitura Nova

Acho que Primatas de Park Avenue foi minha primeira não ficção sem ser biografia. E escrita por uma dessas pessoas de humanas. Duvidei que fosse pra frente, mas li em poucos dias.

Retrospectiva Literária 2016

Morri de Rir

A Mágica da Organização, quantas gostosas gargalhadas! Mas hoje já fico preocupadíssima com a mente dos Jovens®, que veem algo nessa senhoura além da total loucura.

Chorei Choros

Joyland é bem curtinho se a gente comparar com as bíblias de 800 páginas do King, mas me liguei aos personagens de um jeito muito intenso e amei demais aquelas pessoas. Chorei choros e solucei soluços não só pelo final lindo, mas porque foi horrível me despedir de Dev e Annie.

 Decepção do Ano

Eu gostei da série sobre Hogwarts? Gostei. Podia ser melhor? Infinitamente. A gente está aqui há anos urrando por Hogwarts uma História e ela vem com esses três livretinhos soltos. Não sei se faltou bom senso ou vergonha na cara da nossa amiga JK.

Retrospectiva Literária 2016

Soco no Estômago

Americanah é daqueles livros que mostra que por mais que você tente ser correto, você pode sim estar fazendo merda inconscientemente. Foi uma leitura intensa e até didática.

Pior

Por onde começar a falar de A Criança Amaldiçoada? As falhas conceituais absurdas? Visão machistinha? Roteiro de novela da Globo? Personagens INSUPORTÁVEIS? Cursed Child deve ser a pior coisa que já lemos. Que descanse em paz.

Melhor <3

Comecei esse ano lendo a Retrospectiva Literária da Anna e ela falava que A Arte de Pedir tinha essa lenda de chegar nas pessoas no momento certo. Comigo não foi diferente. Amanda Palmer tem um jeito lindo de ver o mundo e mudou mesmo a minha vida. É um livro que todo mundo deveria reler todos os anos pra lembrar que a gente tem que ajudar as pessoas e ser legal e que quando elas não são legais de volta, o problema é delas e não nosso.

Retrospectiva Literária 2016

Bate Bola de Personagens

Personagem mais perturbador: Steven Adler não é exatamente um personagem, mas a biografia dele me trouxe incômodos extremos nas descrições brutais dos seus anos como dependente químico.

Personagem que queria ser: Outro personagem que não é personagem, mas pessoa de verdade (embora a gente as vezes ache que é um mito). A biografia do Sebastião Salgado é lindíssima e mostra que ele não é o fodão só na fotografia.

Me identifiquei: Mentirosos é um livro com começo muito bom e que vai caindo até ser só nhé. Mas algumas horas me identifiquei com a Cadence, suas angustias, questãs e problemas familiares. Ah, os problemas familiares.

Personagem mais chato: Ifemelu, a miga de vocês. Americanah é um livro tão maravilhoso que nem sei por onde começar. Tão maravilhoso que você não joga ele não parede mesmo com essa protagonista INSUPORTÁVEL. Muitas amigas seguraram minha mão durante a leitura e levantaram que uma protagonista imperfeita apenas torna o livro mais genial. Eu que não sou evoluída assim, queria só esfregar a cara dela no asfalto quente mesmo.

Retrospectiva Literária 2016

Livros

Pottermore Presents: os novos ~livros~ da JK Rowling (parem essa mulher)

19 de outubro de 2016

Não sei se todos se lembram da época em que nós éramos fãs privilegiados, fãs “minha franquia não vai ser prostituída com um produto novo caça níquel todo ano“, fãs “eu tenho JK Rowling defendendo meu patrimônio“. SDDS. Uma época de amor e magia. Cada pronunciamento de JK era um deleite para o ouvido do fã. “Não teremos novos produtos” ela dizia, “protegerei Potter com todas as minhas forças” ela falava. E o fã tranquilo:

Pottermore Presents

Mas o tempo passou. O tempo passou e oitavo livro. O tempo passou e peça de teatro. O tempo passou e 5 filmes de Animais Fantásticos (?!?!?!?!?!?!).

Pottermore Presents

O tempo passou e Pottermore Presents. O outrora tranquilo fã, ele está tomado pela angustia.

Estava tomando café com a Anna Vitória (nossa blogueira preferida e maior baixa da Blogosfera 2016), e ela me segredou que na franquia Os Garotos Corvos (cuja qual ela recomenda muitíssimo), a autora sempre diz algo como ~o que precisa ser dito sobre a história, está… na história, começa e termina… na história~. As vezes a gente tem que ir lá nas profundezas da obviedade buscar razão.

Mas o fã de Harry Potter. A gente é tudo doente. A gente precisa de estudo. Acompanhamento médico. Abraços. A gente vai ver o que sair. A gente vai ler o que publicar. Apenas torcendo para que o pior não aconteça.

E assim li os três volumes do Pottermore Presents.

O que que é? É material inédito?

Não é não. São três coletâneas de textos já publicados no Pottermore. Diz que o tema central é Hogwarts, mas precisa de uma abstraçãozinha pra isso, já que ele trata da história do mundo bruxo de uma forma geral, contanto, por exemplo, um pouco sobre cada Ministro da Magia que já existiu.

Talvez o mais certo seja dizer que ela usa personagens e criaturas de Hogwarts de gancho pra ir ao infinito e além.

São longos?

Não, os livros são curtíssimos! Acho que não daria 40 páginas cada, o que achei um pouco de picaretagem, lançar trêêês volumes de um conteúdo que não seria suficiente nem para 01 único livrão mais denso.

Como é a estrutura?

Cada capítulo vem uma introdução de 01 parágrafo do Pottermore, aí vem o texto da JK Rowling e aí, a parte mais legal, um comentário da JK. O texto é escrito de uma forma mais técnica, como se fosse um livro de História da Magia, mas no comentário ela conta o que pensou pra escrever aquele personagem, qual suas inspirações, o que ela gostou ou não, tudo bem pessoal.

Pottermore Presents

Conhecida por sucessivas gerações de alunos como “Professora McGonagall”, Minerva — sempre um tanto feminista — anunciou que manteria seu próprio nome após o casamento. Os tradicionalistas torceram o nariz: por que Minerva estava recusando um nome de sangue puro para manter o nome do pai trouxa?

É bom?

Olha, na atual conjuntura mágica que vivemos, é meu produto preferido. ODIEI Cursed Child e não podia estar mais desconfiada de Animais Fantásticos. Os livros do Pottermore Presents são uma volta às origens digna, servem para matar a saudade, trazem um conteúdo riquíssimo, daquele jeito redondinho, sem falhas que só a JK Rowling sabe fazer. O volume 01, por exemplo, conta a vida da Minerva McGonagall em detalhes, desde o nascimento, o tipo de coisa que a JK deve ter feito única e exclusivamente pra mostrar que é fodona e pensa em tudo (conseguiu).

A gente segue lendo e comentando e debatendo, o que o coração de vocês tem achado disso tudo?